C49-128 | C49-129 | C49-130 Carnaval de Seu Jacinto

Papangus, proposta de resgate por Jacinto Barbosa
Carnaval de Seu Jacinto I
Cordel 49-128: Em memória de Jacinto Barbosa
I- Os papangus que circularam/ No Carnaval de Seu Jacinto/ Festejam em outro recinto/ Por aqui só apalavraram. Por isso eu vou refletindo/ Vendo Sonhador assistindo/ Festança dos que ficaram.
II- Por lá, comovente beleza/ Toma conta da iluminada/ Praça ao bem consagrada... Por aqui, mais da realeza/ De se repetir um formato/ Sem se preocupar, de fato/ Com mudar para a clareza.
III- Por lá, lembra-se de avaliar/ Causa, efeito e aprendizado/ Sem melindre, nem acuado/ Todo modo de festejar. Aqui agente não consultado/ Pires na mão e prostrado/ Continua o seu rastejar.
IV- Por lá, só o valor celestial/ Naturalmente segue regra/ E o pensamento se integra/ Num novíssimo Festival. Por aqui outros valores/ Ditam as tinturas e cores/ Que atingem o Carnaval.
V- Seu Jacinto então me diz/ Pra continuar com essa luta/ Permanecendo em labuta/ Lembrando de ser feliz... Outros soldados de arguta/ Memória que não se insulta/ Tão bem fazem do que fiz.
VI- Espere que a intelligentsia/ Supere a herança maldita/ Assuma o que se acredita/ Sem cair em negligência... E no sangangu do crioulo/ Doido papangu meio tolo/ Se revele na impotência.
VII- Deixe que o tempo imperioso/ Se encarregue da mudança/ Reconstruindo toda aliança/ Pelo coletivo sonho precioso. Quem se faz obra de amor/ Nunca perderá o seu valor/ Está sob a luz do Valoroso.
Evaldo Brasil, de papangu, vestiu a ideia.
Carnaval de Seu Jacinto II
Cordel 49-129: Ausência de um bom juízo, mesmice que entristece
I- Os papangus que circularam/ No Carnaval de Seu Jacinto/ Nem sei se na vera pinto... (Agora então se anunciaram)/ ...Um quadro mal acabado/ De um sonhador ignorado,/ Ontem e hoje se chocaram:
II- Ontem, comovente tristeza/ Tomou conta da cidade... Hoje, fio de insensibilidade/ Maldade ou pura pobreza/ Ou, talvez, a dura realidade/ Do quanto não há saudade/ Ou sentimento de nobreza.
III- Ontem, longo canto sofrido/ Se ouviu durante o cortejo... Hoje, a morte de um desejo/ Perante o fato promovido/ Me permito nesse ensejo/ Dizer do que ainda pelejo/ Apesar de um combalido.
IV- Ontem, da Câmara Municipal/ Até chegar ao no cemitério... Agora, acabo esse mistério/ Dessa morte e do Carnaval/ Seu Jacinto foi pro etéreo. Não fosse pelo critério e/ Do grande segredo divinal...
V- Diria que se mexe na cova/ Caso confirmada a norma/ Do pouco que se informa/ A mesmice que se renova. Ausência de uma memória/ Presente força de “escória”/ Entre o aprova e o reprova.
VI- “Espere que a intelligentsia/ Supere a herança maldita/ Assuma o que se acredita/ Sem cair em negligência...” É que entre agentes nativos/ E o extra-oficioso relativo/ Sinto um jogo de aparência.
VII- Se Seu Jacinto aqui estivesse/ Daria um novo tom à batida/ Ou se veria em nova partida/ Como um grito que emudece/ Diante do amarrar de guiso/ Da ausência de um bom juízo/ Da mesmice que entristece.

Carnaval de Seu Jacinto III
Cordel 49-130: Acorde Esperança à noite, papangu durante o dia
I- O ano dois mil e nove/ Esperado cão de guia/ Como sempre foi açoite/ No lombo de quem vigia/ E todo agente se move. Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia.
II- O ano dois mil e dez/ Renovada a luz sorria/ Como sempre é açoite/ Chibata em qualquer guia/ E toda gente se move... Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia.
III- O Carnaval que se move/ Independente de um guia/ Launça que faz pernoite/ Espontaneidade que varia/ Criança que assim comove. Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia.
IV- E os ensaios noite à dentro/ Entre o lúdico e a orgia/ Privilégio não se acoite/ Entre sabido e o que sabia/ Tudo levando ao centro. Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia.
V- Quem faz a festa é o povo/ Seja índio, bebum ou lia/ Ao que se foi diz-se foi-te/ Já não é no que queria/ Aos poucos fazer o novo. Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia.
VI- Já sinto você aqui/ Um slogan se ousaria/ Pra convidar toda corte/ De Momo para a folia/ Mas sem ser um sambaqui. Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia.
VII- Lero, Boró, Pixaco e Jacintão/ Seu Chiquim e sua magia/ João Marculino diz: vôte! Vai-te! Ser nota de alegria/ Até mudar de opinião... Acorde Esperança à noite/ Papangu durante o dia
Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Em 22, 28 e 31 de Janeiro de 2010, respectivamente)

Comentários

  1. Meu Carnaval

    Ala-ursas, gueixas e urubus
    Num carnaval místico conheci
    E mascaras, bailes e índios
    Que neste cordel revivi.

    De Brasis, Jacintos e Luz!
    Fantasiados a me perquerir
    No límpido céu luzindo
    Onde a tradição possa existir.

    Não sei! Talvez Quérluz,
    Taj-Mahal ou Panati
    A magia continue fluindo
    E não pare de existir.

    Quero ser um "sonambulus"
    Nessas ruas a me esvair
    Coberto de fitas e panos
    E todos a me assistir.

    E entre troças e papangús
    Possa então garantir
    Que o carnaval terminando
    Eu não pare de sorrir.

    Rau Ferreira

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  2. O autor deste blog me acusa de fazer-lhe elogios. Pois bem, não são elogios é apenas um reconhecimento sincero a uma vocação multicultural. Se você não sabe EVALDO BRASIL tem muitos dons: Poeta, escritor, jornalista, ator, humorista, redator, professor, político... A lista é enorme!
    Eu o conheço de perto e posso atestar tudo isso que ele faz com categoria; e tem uma característica assaz: é simples e talvez essa sua simplicidade nas coisas seja a chave para uma vida feliz. Parabéns meu amigo; esta é a única forma que encontrei para prestar esta breve homenagem a um dos ícones do meu tempo.

    Um forte abraço;

    Rau Ferreira
    Blog: História Esperancense
    http://historiaesperancense.blogspot.com

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  3. Cheguei aqui através de Rau Ferreira para dizer o quanto é importante essa opinião e manter vivo o nosso carnaval de plumas, ala-ursas e papangús! Ró

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