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Mostrando postagens de Abril, 2010

O Rosário do Povo Criacionista I

CORDEL 49.40
(O verdadeiro nome da gente é o apelido que nos chama)

{A criatividade popular entre o agito e o carinho. Apelido, apodo, alcunha: [al-kunya(t), árabe]: designação que se junta ao nome ou ao sobrenome de alguém. Cognome geralmente depreciativo que se põe a alguém, e pelo qual fica sendo conhecido, tirado de alguma particularidade física ou moral.*}

I
O verdadeiro nome da gente
É o apelido que nos chama
Entre amigos é carinhoso
E na família que nos ama.
Mas quando um agente irrita
Com uma zombaria e agita
Cai no gosto e ganha fama.

II
Nosso povo é muito fértil
Cria tudo que é apelido
E se a gente não esquenta
Nunca vai virar moído.
E a alcunha, má, demente,
Se some e rapidamente a
Novo nome é promovido.

III
Desde cedo eu fui Valdim
Vavá nem sei quem criou
Entre amigos era Corróh
E Mestre só me valorizou.
Fui Vito, Vavito e Ovaldo
Luciano engrossou o caldo
Mas assim só ele chamou.

IV
Cientista, eu já fui também,
Xacangai, já me chamaram,
Cabelo-de-bombril caiu bem
Vavaca, logo ignoraram,
Vitim foi por pou…

O rosário do povo criacionista II

CORDEL 49.46
(Segunda lista das alcunhas, zombarias e apelidos de Esperança)

I
A gente usa o nome verdadeiro
Se tiver promissória pra assinar
Para tirar um novo documento
Diante do juiz, pra se amarrar.
Mas um casamento perfeito
Só mesmo quando um sujeito
Cisma e teima em se agoniar.

II
Começo agora, assim, a relação
De apelidos desse nosso lugar
Registro salteado e de cor
Pra depois numa lista enumerar:
Zambão, Ximbêta, Vaqueiro,
Viva, Xéba e Zé-roupeiro
Chapolin, Visconde e Fafá.

III
Continuo minha pequena lista
No exercício da lembrança
Para anotar apodos e alcunhas
Criadas pelo povo de Esperança:
Timbu, Saco-de-osso e Ramim
Rulipa, Sebarina e Tinim
Amazan, Catarina e Zé-criança.

IV
Retomando a rima, cismando,
No caminho dos de zombaria
Nesse arrolamento exponho
Um cabedal cheio de putaria:
Bunda-de-pano, João-peidão,
Arroto e Brinquedo-do-cão,
Vitiligo, Camburão e Zacarias.

V
E agora eu acho que está na hora,
De botar cada um lado a lado
Dona-dôra, Fuçura e Dona-dóra
Cavado e Cara-de-manobrado.
Gata-maga, Chico-braga …

O rosário do povo criacionista IV

CORDEL 49.58
(4ª Lista: parentes, companheiros, amigos e conhecidos)

I
Continuando a seqüência
Eu agora rimo pra mim,
Cito parentes de perto:
Nerivan virou o Nerim:
Lane reduziu o nome e
Eu confundo com Dilane
E Nerivaldo é o Neguim.

II
Mita, Milene e Neném
Birico, Vandó e Rafinha
Novo, Fia e Miminim
Léo, Gambá, e Toinha:
Madame, Dadá e Mako
Usibibo, Rei-nê e Nato
Nildá, Cila e Batatinha.

III
Véi-do-saco e Manqueza
Vó Mãe-nana e Vozinha
Junico, Gogô, Cocada
Isa, Dena e Luquinha.
Erikita, Manha e Biano
Sam e Sá, I-ía e Ciano
Duda, Naná e Maguinha.

IV
E os companheiros de luta
Aqui vêm comparecer,
Chico-de-iaiá e Jaymão
Estevão, Cérmio e Bererê:
Bacaninha, Joca e Makito,
Dedé, Tica, Clebé, Zezito
Dona-neném e João-do-PT.

V
Meus amigos de trabalho
Dos considerados por mim
Listo quem agora lembro
Dôra, Nicó, Beto-maguim.
Querida, Cumade e Janinha
Pedito, Katita e Carminha.
Berna, Cara-crachá, Vanim.

VI
Conheço a todo cristão
Aqui citados nesta lista
Rimo assim do Begão
Dona-chiquinha e Tista:
Com Cisim, Caguim e Pi
Bebezão, Rubã…

O rosário do povo criacionista III

CORDEL 49.52
(3ª Lista de Apelidos: Como Zé Limeira, vou pegando pra limão)

I
Zé Limeira, absurda mente,
Em seus versos de cantador
Moia todo adversário
Com a verve de um criador.
Ajuntava princesa Isabel
Com Tiazinha, lá no bordel,
E Antonieta, plantando flor.

II
No rosário criacionista
Seu Zé Limeira pode falar
A voz do povo é a do poeta
E é por ele que vou rimar:
Tenente, Cabu-duda e Capitão
Soldado e Guardinha no sermão
Ensinando Bispo e Pade a rezar.

III
Presidente de Esperança
Despacha na delegacia
Delegado, xará da autoridade,
Não prende, mas bem podia.
Para o Japão foi Deputado
Senadô pro céu já foi levado
E Jesus já comprou a Carestia.

IV
Professor não ensina na escola
Bority não governa, é advogado,
Dr. Bastim não medica uma pílula
E Cherosa remedia no outro lado
Donarrosa, boa gente, não é flor,
Garrote só amansa com Amor
E Roberim é um cara agigantado.

V
E no rosário da contradição,
Ratim é amigo de Seu Gato
Priquitim se reclama é de Lola
Pega-o-pinto joga com Pé-de-pato
O Cara-de-lixo é bem limpinho
É maneiro o…

O rosário do povo criacionista V

CORDEL 49.59
(5ª Lista: Dos animais que se juntam ao nosso nome I)

I
Não sabemos até onde
A gente, animal racional,
Poderia ser comparado
A um bicho, ser irracional,
Mas falando em cognome
Eles se ajuntam ao nome
E nada fica anormal…

II
Ameba, Guiné, Gavião,
Mané-das-cabra e João-preá,
Rabo-de-peixe, Macaco,
Vera-das-cabra e Carcará,
Pequenez, Tejo, Pé-de-cago,
Chico-viado e Passo-mago,
A-gata, Maco-macaco e Preá.

III
Macaco-da-bunda-branca,
Cara-de-cavalo e Chico-pata,
Abelha-italiana, Gata-branca,
Canela-de-canaro e Dagata,
Maçarico, Calango, Oi-de-gato,
Bacurau, Tucano, Mijo-de-rato,
Curau, Maria-preá e João-barata

IV
Zé-cutia, Ramim-de-gato,
Ana-dos-gato e Barrão,
Lêla-de-gato, Venta-de-tucano,
Fi-de-meu-gato e Bodão,
Pardal, Condô, Josa-bacurau,
Chico-pé-de-pato, Lacrau,
Maria-bacalhau e Beto-gavião.

V
Camelo-do-sertão, Trio-ameba,
Boca-de-peba e Boi-tungão,
Vaca-véia, Priquitim-de-uvêa,
Biu-cambeba, Jegue e Cancão,
Galo-creca, Ciço-preá, Uvêa,
Coruja, Leão, Zé-burra-feia
Katita e Maria-de-zé-leão.

VI
Burrego, Corujão, …

C49-136 Paixão de Cristo 2010 V

Paixão de Cristo 2010
(Até onde a vista alcança, uma paixão de esperança)

I
Até onde a vista alcança
Esse projeto vai longe...
Como ascensão de monge
É ato de fé e de confiança
Em Deus regendo caminho
E, sem querer ser adivinho,
Será paixão de esperança.

II
São treze anos de pura fé
De um exercício pregador
Do vivenciar certo amor
Nessa caminhada, de pé
Perante a evangelização
Através dessa encenação
Grupo Jesus de Nazaré.

III
Já fez Praça da Cultura
Ser palco dessa paixão
Aglomerou muito irmão
De fé e de outra postura.
Entre o coreto e a janela
Fez cena triste, mas bela
Sobre pequena estrutura.

IV
E quando se fez Campestre
Ficou bem mais original...
Diminuindo um bacanal
Ficar-se-ia mais ao mestre
Mas, amador vocacional
Quando for profissional
Tornar-se-á mais agreste.

V
E pela força da ocasião
Fez uma pausa revisional
O que parecia ser um mal
Condicionado à transição
Tornar-se-ia providencial
Seria uma pitada de sal
Pra lhe dar nova razão.

V
E a Loja do Mestre André
Vende sonho, ousadia e pão
Entregando a Deus, o São,
O vai-e-v…

C49-134 Paixão de Cristo 2010 IV

De quando o Judas morreu IV
(Deus estava por perto pra que tudo desse certo)

I
Era grande a expectativa
Para a sexta da paixão
Nesse dia, com razão,
Havia luz primitiva:
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Para toda a comitiva.

II
A maquiagem reforçada
A TV de prontidão
Era grande a multidão,
Nessa noite tão esperada
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Depois da peça ensaiada.

III
Então comecei pensar
Por aquele calendário
Era meu aniversário
Quero me presentear?
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Fui sem medo atuar.

IV
Fiz a cena, emocionado
Sem temer esse calvário
Ou mesmo o prontuário
Da morte em atestado
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Perante o bem esperado.

V
Brinquei com o Caifás
Admirei um Nicodemos
Diante do que pudemos
Sorri ao lado de Anás
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Até com um Padãnaz.

VI
Na hora do enforcamento
A luz durou bem acesa
A cena não era moleza
Só me vinha o pensamento
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Não haver um só lamento.

VII
N…

C49-133 Paixão de Cristo 2010 III

De quando o Judas morreu III
(Quando a corda falsa se fez verdadeira)

I
O corpo meio moído
Girava a cabeça tonta...
A cena já estava pronta
E o tornozelo doído...
Trabalhei pela manhã
E à tarde, lá, só o afã
De evitar mal ocorrido.

II
Vesti a túnica e o cinto
Nas partes incomodava
Todos viam como andava
É a verdade, não minto:
Era um Judas meio manco
Como quem usar tamanco
Chapado de vinho tinto.

III
Então, lapadas no lombo
Do Cristo antes traído
Me lembravam o ocorrido
Assim temia outro tombo
Eu em prece e comoção
Entre o medo e a emoção
Lia o vôo de um pombo.

IV
Da angústia e da dor do
Arrependido personagem
Eu viajava na coragem
A repetir divino amor
Sorte que me protegeu
Mas outro susto me deu
Não é que a corda apertou:

V
A peça posta primeira
Sem ser a de segurança
Apenas pra ser lembrança
Do suicídio, fez besteira
Resolveu fazer uma graça:
Foi quando a cordinha falsa
Fez-se forca verdadeira.

VI
Eu, de olho arregalado,
Fiz contagem regressiva
Numa postura inativa...
Laura apaga o alumiado:
Com a corda no pescoço
Não fiz o meno…

C49-132 Paixão de Cristo 2010 II

De quando o Judas morreu II
(No segundo dia foi menor a agonia)

I
Passado o susto inicial
Renovada a esperança
Em preces, numa aliança
Volto à rotina, ao banal
Mas o joelho lateja
E entrega, de bandeja
O possível bem no mal.

II
Cuidados são renovados
Para o ato se repetir
Temendo o que pode vir
Sem pecados perdoados...
Volto ao local insano
Para não haver engano
Nos apetrechos montados.

III
A corda presa no meio
Evitaria o pendular
Do corpo preso ao pular
De cinto feito um arreio...
Movimento frente-trás
Para a direita, jamais
Só uma cicatriz veio:

IV
O tamborete primevo
Fora substituído
E o Judas, maluvido,
Que não usara um trevo,
Pertinho do calcanhar
Começou cicatrizar
Nova ferida em relevo.

V
Nino, Biu-bal e Renato
Um trio de prontidão
Recebe aperto de mão
Do ator que sente grato
Por tudo que dera certo
Por eles estarem perto
Pra morte não virar fato.

V
A maquiagem assustadora
Lavada pela Verônica
E a mudança de túnica
Aos auspícios da cantora
Me levou para o Calvário
E eu em novo cenário
Feito bruxo sem vassoura.

VII
Lancei-me na…

C49-131 Paixão de Cristo 2010

(O fantasma do enforcamento assusta qualquer ator)

I
O convite foi aceito
E só um medo me veio
A lembrança que receio
Do enforcamento malfeito
Por isso uma discussão
Dos motivos e da razão
Da forca que deu defeito.

II
O fantasma assustador
]Perseguiu por todo ensaio
A lembrança do desmaio
De Netim, um bom ator.
Quando fizera um Judas
Foi um deus-nos-acuda
Com a corda que o enrolou.

III
Apesar do ocorrido
Pouco se fez pela forca
Pois uma correria louca
Não me faria prevenido.
Uma corda improvisada
Estava mal posicionada
Lancei-me no escurecido...

IV
E com os olhos fechados
Mergulhei de grampo preso
E quase que me vejo teso
Com meu joelho lascado.
O movimento pendular
Acabou por me lançar
Direto num pau serrado...

V
Feliz por ter escapado
Sorria alegre com a dor
Reconhecendo o valor
Do pouquinho planejado,
Da equipe que se juntou
Para ajudar pobre ator
No ato mais arriscado.

VI
Ao cuidado não tomado
Somo a prece precedida
Perante arriscar a vida
Num ato desajustado
Deixa só, aquela noite,
O saldo de um açoite:
Um joelho arrebentado.

V…