quarta-feira, 21 de abril de 2010

C49-136 Paixão de Cristo 2010 V


Paixão de Cristo 2010
(Até onde a vista alcança, uma paixão de esperança)

I
Até onde a vista alcança
Esse projeto vai longe...
Como ascensão de monge
É ato de fé e de confiança
Em Deus regendo caminho
E, sem querer ser adivinho,
Será paixão de esperança.

II
São treze anos de pura fé
De um exercício pregador
Do vivenciar certo amor
Nessa caminhada, de pé
Perante a evangelização
Através dessa encenação
Grupo Jesus de Nazaré.

III
Já fez Praça da Cultura
Ser palco dessa paixão
Aglomerou muito irmão
De fé e de outra postura.
Entre o coreto e a janela
Fez cena triste, mas bela
Sobre pequena estrutura.

IV
E quando se fez Campestre
Ficou bem mais original...
Diminuindo um bacanal
Ficar-se-ia mais ao mestre
Mas, amador vocacional
Quando for profissional
Tornar-se-á mais agreste.

V
E pela força da ocasião
Fez uma pausa revisional
O que parecia ser um mal
Condicionado à transição
Tornar-se-ia providencial
Seria uma pitada de sal
Pra lhe dar nova razão.

V
E a Loja do Mestre André
Vende sonho, ousadia e pão
Entregando a Deus, o São,
O vai-e-vem dessa maré...
E no estádio de futebol
Sem temer chuva, ao sol
Coloca o cenário em pé.

VII
Quatro noites encenando
Pouca a luz, a lua cheia,
Sobre a lama que permeia
Não para quem ‘tá pregando
Até onde a vista alcança
Uma paixão de esperança
Se faz evangelizando.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 13 de Abril de 2010)

C49-134 Paixão de Cristo 2010 IV


De quando o Judas morreu IV
(Deus estava por perto pra que tudo desse certo)

I
Era grande a expectativa
Para a sexta da paixão
Nesse dia, com razão,
Havia luz primitiva:
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Para toda a comitiva.

II
A maquiagem reforçada
A TV de prontidão
Era grande a multidão,
Nessa noite tão esperada
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Depois da peça ensaiada.

III
Então comecei pensar
Por aquele calendário
Era meu aniversário
Quero me presentear?
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Fui sem medo atuar.

IV
Fiz a cena, emocionado
Sem temer esse calvário
Ou mesmo o prontuário
Da morte em atestado
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Perante o bem esperado.

V
Brinquei com o Caifás
Admirei um Nicodemos
Diante do que pudemos
Sorri ao lado de Anás
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Até com um Padãnaz.

VI
Na hora do enforcamento
A luz durou bem acesa
A cena não era moleza
Só me vinha o pensamento
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Não haver um só lamento.

VII
Não quis ficar na plateia
Lá fui eu salvar Jesus
Aprendi com aquela cruz
E com a voz de Arimatéia
Deus estava por perto
Pra que tudo desse certo
Por aqui e lá na Judéia.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 10 de Abril de 2010)

C49-133 Paixão de Cristo 2010 III


De quando o Judas morreu III
(Quando a corda falsa se fez verdadeira)

I
O corpo meio moído
Girava a cabeça tonta...
A cena já estava pronta
E o tornozelo doído...
Trabalhei pela manhã
E à tarde, lá, só o afã
De evitar mal ocorrido.

II
Vesti a túnica e o cinto
Nas partes incomodava
Todos viam como andava
É a verdade, não minto:
Era um Judas meio manco
Como quem usar tamanco
Chapado de vinho tinto.

III
Então, lapadas no lombo
Do Cristo antes traído
Me lembravam o ocorrido
Assim temia outro tombo
Eu em prece e comoção
Entre o medo e a emoção
Lia o vôo de um pombo.

IV
Da angústia e da dor do
Arrependido personagem
Eu viajava na coragem
A repetir divino amor
Sorte que me protegeu
Mas outro susto me deu
Não é que a corda apertou:

V
A peça posta primeira
Sem ser a de segurança
Apenas pra ser lembrança
Do suicídio, fez besteira
Resolveu fazer uma graça:
Foi quando a cordinha falsa
Fez-se forca verdadeira.

VI
Eu, de olho arregalado,
Fiz contagem regressiva
Numa postura inativa...
Laura apaga o alumiado:
Com a corda no pescoço
Não fiz o menor esforço
Para não ser enforcado.

VII
E com um figurino novo
Nem tirei a maquiagem
Para a plateia a imagem
Do suicida era estorvo.
Mas atuava para estar
Diante, a testemunhar,
O Cristo reinar de novo.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 10 de Abril de 2010)

C49-132 Paixão de Cristo 2010 II


De quando o Judas morreu II
(No segundo dia foi menor a agonia)

I
Passado o susto inicial
Renovada a esperança
Em preces, numa aliança
Volto à rotina, ao banal
Mas o joelho lateja
E entrega, de bandeja
O possível bem no mal.

II
Cuidados são renovados
Para o ato se repetir
Temendo o que pode vir
Sem pecados perdoados...
Volto ao local insano
Para não haver engano
Nos apetrechos montados.

III
A corda presa no meio
Evitaria o pendular
Do corpo preso ao pular
De cinto feito um arreio...
Movimento frente-trás
Para a direita, jamais
Só uma cicatriz veio:

IV
O tamborete primevo
Fora substituído
E o Judas, maluvido,
Que não usara um trevo,
Pertinho do calcanhar
Começou cicatrizar
Nova ferida em relevo.

V
Nino, Biu-bal e Renato
Um trio de prontidão
Recebe aperto de mão
Do ator que sente grato
Por tudo que dera certo
Por eles estarem perto
Pra morte não virar fato.

V
A maquiagem assustadora
Lavada pela Verônica
E a mudança de túnica
Aos auspícios da cantora
Me levou para o Calvário
E eu em novo cenário
Feito bruxo sem vassoura.

VII
Lancei-me na multidão
Chorei a dor de Maria
Na morte vi a agonia
Tomado de emoção...
Alegre com Madalena
Dirigi-me para a cena
Do Cristo em ascensão.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 09 de Abril de 2010)