quinta-feira, 19 de maio de 2011

TV Lírio Verde: as sementes e o terreno


Toda ideia nova exige nova denominação. Foi assim no surgimento do Espiritismo, quando a nova abordagem da moral cristã, a partir da comunicabilidade com o mundo dos espíritos fez surgir, desde 1857, o novo verbete para a nova filosofia/religião/ciência. Mas, como todo novo surge do acúmulo de conhecimento das humanidades, foi e é passiva de associações e distorções por ignorância ou má-fé. Ciente destas possibilidades é que espero não pecar nessa abordagem, e se o fizer será pela primeira opção.
Ao conversar com o idealizador da TV Lírio Verde, doravante TVLV, Laércio Araújomostrou-meduas coisas interessantes: A disposição de perseguir o sonho e, já que desconheço algo assim, um conceito novo ou, pelo menos, inovador.
Associado a diversas pessoas, jovens de pouca ou média experiência, levará a TVLV até o limite das sementes que não encontrarem solo fértil. No solo mais receptível encontrará o empate no investimento, no terreno propício encontrará certo lucro e, enfim, a permanência do projeto no ar, digo, no disco.
Temo pela morte prematura. Alguns dos personagens dessa história do momento, ao fazerem sua própria história, já possuem formas de garantir o feijão-com-arroz, outros ainda não. É preciso equilibrar com muita clareza e honestidade a relação entre as partes. Temo também, pelo pouco de disposição por escolaridade. Isso tem reflexos em tudo que se faz.
Fiquei bastante feliz e até me dispus a dar um pitaco ou outro, ao ser solicitado ou em situações gritantes. Assim, sugestões já dadas e algo mais incluo aqui.
Primeiro sugeri e doei um pouco do meu conhecimento na esfera do design, do jornalismo e das artes. Para o conceito que vem se clareando entre eles, um logotipo DTVD, já que se trata de produção no estilo de programação de TV vendidano suporte DVD.
Desde 2003, Ralf, da dupla sertaneja com o irmão Christian, patenteou o SMD, Semi Metalic Disc, para baratear custos de produção CDs e DVDs, vez que o suporte só recebe a camada metálica necessária para o conteúdo a ser gravado. Tenho SMD original com capa e encarte que me custou R$ 5,00. Laércio Araújo também patenteou sua ideia. Mas ela não tem efeito na origem, apenas no final: a forma de distribuição do produto, a produção de conteúdo audiovisual de caráter artístico e jornalístico.
PERIODICIDADE - Quando estávamos esgotados de fazer o jornal Novo Tempo (mensário), fomos convidados a dar um passo maior: a Revista da Esperança/RE. Considerei ser a passada maior que a perna. Mesmo assim, voto vencido, lançamos com Padre Palmeira na capa, a primeira edição se propondo a ser bimestral. Acabamos por lançar apenas 04 edições em 97, trimestral, portanto. Não sei se os custos gráficos de então eram mais altos que os de produção em vídeo, hoje, sem contar o material humano. A época, fazíamos por abnegação, como nos adjetivou Luiz Martins, certa vez. Agora, não. Meus amigos estão apostando e investindo. Que eles encontrem outros regadores da semente. Mas avaliem e reavaliem o projeto a cada dia. E, se eu como assinante não receber o material semanalmente, me darei por satisfeito até por mês.
Quanto ao jornalismo, venho chamando a atenção para que não incorram no erro que ocorre com a Folha de Esperança e que, mesmo na RE, nós já cometemos. Sendo semanal, quinzenal ou mensal, todo o conteúdo exige tratamento considerando a periodicidade. A notícia diária (Afogamento) e imediata, deixem paro o rádio, pros blogs e similares. E se a tentação do fato mais recente ou polêmico for mais forte, deixem claro num resumo ou ampliem a matéria, dando-lhe fôlego (Falta d’água).
No que se refere à arte, nomes e temas não faltarão. A estreia foi boa e rende até continuação (Zil Cavalcante). Lendas, folclore, fatos e fontes não nos faltam. Do passado, do presente e promessas, o que mais temos. Mas exige um mínimo de pesquisa.
Na pré-história da TVLV e do produto DTVD lembro, por aqui, poucas iniciativas. A TV Banabuyê (por você e pra você) que se propunha, na penumbra dos tempos do VHS, a ser TVD (D de Documentária) chegou a gravar, gravar e gravar; fez algumas projeções em ambientes fechados e abertos, como na frente da igreja Matriz, bem como algumas cópias foram distribuídas (TVD em VHS!, da qual não resisto ao trocadilho, a que o acervo servirá, Macambira?). Temos os documentários João “de Deus, de Esperança” e “Luiz: Uma história de Esperança” Martins, dentre algumas dezenas. Ousamos o Núcleo de Cinema Francisco Celestino (e Cineclube Seu Titico), a produção do vídeo-poema “Retorno”, de filme de artes marciais e até, mais antigamente ainda, o Cinema de Lanco Pintor (!) e a Praça da Televisão. Quem viveu, viu.
A TVLV, uma Digital TV on Disc, ocupa o espaço deixado ou o caminho que vem sendo trilhado pelos fatos/pessoas citadas, mas, principalmente, vem para preencher uma carência de programação regional na TV. As repetidoras, historicamente incluídas nas propostas de candidatos a prefeito ou em suas prestações de conta à comunidade, já não cumprem seu papel, ignoradas que foram em sua manutenção e por perderem espaço para as parabólicas. Essas são sinônimas e características da melhoria de renda da população e da escolha pelo consumo. Aquelas,como estiveram e estão, são prova da pouca visão de nossos agentes públicos, já que nunca retransmitiram nem vão fazê-lo quanto aos canais educativos (como eu gostaria de estar errado!). As afiliadas das redes nacionais, com pouco ou quase nada de programação local, estão restritas a João Pessoa e Campina Grande, seus mercados, com representação no Sertão.
Quando não geram fenômenos como o “Tamborema”, som da Capital e imagem de Campina, no canal 9, chegam aqui os sinais interferidos até de Pernambuco, os sinais da TV Itararé CG-19 (JP-8, Cultura), a Clube CG-7 (JP-10, Band), e a Correio (JP-12 e CG-13, Record); as TVs Tambaú/Borborema (JP-5 e CG-9, SBT) e Cabo Branco/Paraíba (JP-7 e CG-3, Globo), Miramar (JP-4 -TV Brasil: CG-43), TV Cabrália/BA (CG-14 e JP-24, Record News), Rede Vida CG-23. Também dão o ar da interferência por aqui a Arapuan (JP-14 e CG-11, Rede TV!), a TV Aparecida (CG-5), MTV JP-32, e Nova Nordeste (20, afiliada Rede Gênesis)... Imaginem que até o sinal da Globo HD 13.1 de Recife já foi espantosamente captado por mim. Praticamente nenhuma dá pra assistir; por aqui, apenas relativamente estáveis são os sinais das afiliadas da Globo, da Band e, pasmem, da Record News. Mas temos boa notícia: a torre das antenas das repetidoras caiu.
A TVLV, com a popularização dos aparelhos de DVD, deve aproveitar o filão aberto pela demora do país em baratear custos da indústria televisiva; pode ser viés de reconhecimento e apoderamento das nossas identidades culturais; e precisa ser fonte de renda e sobrevivência de seus idealizadores. Assim desejo.