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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

C49-170 Do Craque do Amigo do Amor

I
Das profundas tal mar abissal
Ou lavas vulcânicas terrenas
Ou geleiras polares no inverno
Ou frieza cósmica às centenas
Hostes de ignorantes do bem
Hostes de egoístas nos vêm
Perpetrando maldades plenas.

II
Uns caras inspirados por elas
Inventam uma droga potente
Quem vende não usa ele sabe
Do efeito que causa na mente:
Num piscar de olhos domina
O adulto o fortão e a menina
E confirma um mundo doente.

III
Eis que todo amor próprio
A família trabalho e valor
São assim colocados à prova
E o espírito fraqueja na dor
Zumbi da carne que afraca
Lobotomizado se demarca
Ao buscar repetir seu sabor.

IV
Mas uma luz que ascende
Da dor dos amigos do filho
Que têm força que prende
Pra vida dará novo brilho
E o contato no lábio fugas
Que o aprisionaria sagaz
Para trás, não dita o trilho.

V
E essa luz que se acende
Do alto responde ao apelo
Do merecimento profundo
Sentimento de todo zelo
E o contato no lábio jamais
Se repita: fumo bebida gás
Satanás! Falta de desvelo.

VI
A imagem dessa dominação
Está posta como desafio...
A família sendo …

Antes Porém...

A memória foi amnesiada
E anestesiadas as mentes ficaram
A história foi apagada
E apegado a elas poucos ficaram
Antes, porém, ambas vivas.

A artista foi discriminada
E desritmada ficou a festa
A notícia foi, por alguns, censurada
E sem luz ficou nosso ambiente
Antes, porém, o fim do túnel.

Memória e notícias, história e artista
Estamos aquém, mas vamos além
Antes, porém, participemos!

Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Revista da Esperança, pág. 46, 2ª Edição, Mar. 1997)

Soneto de Esperança

(Dedicado a Silvino Olavo)

Canto a tristeza como quem canta
a morte para a morte,
como quem perde o norte
em busca de uma alegria santa!

E ela fulminante se impõe,
desafinando a voz sem piedade,
impedindo a luz da realidade
semear razão no que se sonhe...

Mas eu me encontro com o sorriso
dando vez e voz ao meu cantar
para ter valor minha alegria

pois há crescimento e energia
a suprir meu justo caminhar
para construir o sonhado paraíso.

Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Revista da Esperança, pág. 15, 3ª Edição, Ago. 1997)

Cilício

Quando minh'alma era mais imperfeita
e eu não sabia
renunciar ainda a essa ânsia insatisfeita
de cada dia
meu claustro era mais triste e mais estreita
a cela em que eu vivia!

Minha angústia era um ai! mais estridente...
Minha dor não vestia
a indumentária leve e transparente
dessa melancolia
com que, a meia voz, discretamente,
ela hoje se anuncia...

-Ah! O desejo é um vaso ardente
De inquietude e de agonia...

Silvino Olavo

Silvino Olavo, agente ativo nos anos 20

Imagem
Recebi do confrade Rau Ferreira, por correio eletrônico, quatro recortes das suas pesquisas, dando conta da presença do nosso Poeta Maior nos eventos sociais, entre poetas e desportistas.

Entre 1923 e 1927, circulava nas páginas de A Noite/RJ, de 31/08/1923 e de 12/10/1927; O Imparcial/RJ, de 02/06/1924; e Correio da Manhã/RJ, de 11/10/1927. Ele entre Pernambuco e Rio de Janeiro, então nossa Capital.


Não é de se estranhar que entre 1924 e 1927 publique Cysnes, livro de poesias lançado no Rio de Janeiro e a tese de conclusão de curso Estética do Direito, também lá. Em 22 de maio de 1925 profira o célebre discurso “Esperança, Lírio Verde da Borborema”, por ocasião da visita de João Suassuna, então “presidente do Estado da Parahyba”, para inaugurar o Serviço de Iluminação Urbana da quase cidade Esperança. E em 1927, na Capital do Brasil, lança Sombra Iluminada, bem como Cordialidade, Estudo Literário, 1ª Série, que teria sido lançado em Nova Iorque, EUA.


Agente ativo naquela década sem perd…

C49-169 Quem vê pinote no cinema II

(Dedicado a Renata, Luana e Leandro)

I
Quem vê pinote no cinema
Podia estar acostumado
Com as coisas inesperadas
Com a zoada, o alquebrado,
A gargalhada, riso insano,
Gemido, uivo desumano,
De um fato inusitado...

II
Eis que chega uma donzela
E um varão re-encantado
Cumprimenta a ela e ele
Noutra conversa pautado
Planeja abraços e beijo
E a matança do desejo
Pois tivera olho furado...

III
Lá vinha eu distraído
Já conhecia a bela dona
Fui passando no caminho
E a mim atenção se soma
– Bom dia, Evaldo. Feliz
Ano Novo! Ela me diz...
Deu nem pra sentir aroma.

IV
O caolho, ligeiro, exagerado,
Taca as mãos nos meus sovacos
Pra me tirar do seu caminho
Segura em meu ponto fraco!
Ela arregalou os olhos
Diante daquele imbróglio
Eu saltei feito um macaco.

V
Sem forças fui até o teto
Triangulei pra parede
Desci direto à cadeira
Sentei já sentido sede...
Dobrei a perna ao joelho
Ofegante feito um coelho
Como com enjoo de rede.

VI
Ele faz a sua cena a ela...
Ela entre espanto e peninha
Ele finda e passa a vez
Eu permito: cumpra a rinha!
E ela…

Ontem à noite

Ontem à noite
Sonhei que estava numa assembleia
Ontem à noite
Sonhei que fazia uma prolongada prece
Ontem à noite
Sonhei que orava numa língua diferente
Para gente diferente em um mundo diferente
Ontem à noite
Me via numa assembleia onde era centro
Ouvido por todos em silêncio
Ecoava aos quatro cantos palavras de agradecimento
Ontem à noite
Dizia do mundo verdadeiro que nos espera, por derradeiro
De um mundo onde não há dinheiro
Onde anjos somos todos nós
Ontem à noite
Sonhava e sentia o bem que faz bem a quem faz
A certeza que a luz viria, inevitavelmente, se sobrepondo à escuridão
Ontem à noite
Quando nossas trevas já não tinham vez nem voz
Quando não mais medo nem segredos
Tudo claro tudo luz tudo alegria...

Acordei e um amigo chorava a partida de outro que tão bem lhe cuidava

Evaldo Pedro Brasil da Costa
Esperança, em 05 de janeiro de 2013