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Mostrando postagens de Março, 2013

Meu Carnaval 2001

Da quarta-feira de fogo à quarta de Cinzas: Mascarados nas ruas

Eis que surge nos céus de Esperança o Passarim. Era 23/24 horas da quarta-feira de Fogo, véspera de Carnaval. Não era o Bacurau, devido ao fato de que ‘só quem faz um bacurau é outro bacurau’. Pintado em cores alegres, como deveria ser, vinha predominantemente em laranjas, passando por amarelos e vermelhos; zarolhos brancos; pouco preto, para acentuar detalhes, além de penachos alviverdes como sobrancelhas. Ora, era Bacurau, sim, e daí?, enquanto obra de arte, artística manifestação do desejo de ver a vivacidade que o Carnaval vem perdendo. Ora, pois, trocamos o dia pela noite na confecção das máscaras. Fomos bacuraus, por assim dizer. Mas não era preto! Poderia se dizer. Afinal, quer-se ler uma história permeada de estorias ou se quer discutir, argumentaria o mestre Ariano Suassuna.
Como sempre, gastamos economias antes e repomos parte com ajuda pública.
Vestidos todos os outros, além do Passarim, em roupas de saco de cebol…

Trem de Ferro

Um fino apito estrídulo sibila
Rangem as rodas num arranco perro
E lentamente, a se arrastar desfila,
Fumegante e luzente o Trem de Ferro.

Soa no espaço um derradeiro berro
E, tão rápido voa que horripila,
Esse monstro a rolar de serra em serra
Apavorando a solidão tranquila.

Rompe cabanas, matagais tristonhos,
Despenhadeiros, barrancos medonhos…
Nada lhe amaina seu rápido furor.

Corre, corre veloz, nada o embaraça,
Desfraldando uma bandeira de fumaça
Como um bravo guerreiro vencedor.

(Silvino Olavo, Revista da Esperança, pág. 38, 3ª Edição, Ago. 1997)