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Mostrando postagens de 2014

Frevinho de Libertação II | Evaldo Brasil | Esperança/PB

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Toda noite vai à luta
Todo dia se arrepia, corre,
Corre, vai,
Em busca da alegria de ser o que é.

Tanta miséria, tanta dor, tanta tristeza e dissabor.
Assim se perde a leveza,
Já não se pode voar,
Assim se perde.

Toda noite vai, à luta,
Todo dia, se arrepia, corre,
Corre, vai…
Em busca da alegria de ser o que é.

Para vestir-se de alegria até o dia clarear
Assim, se ganha leveza,
Assim se pode voar.

Na certeza de se reencontrar.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
Em 30 de Junho de 2006.
Publicado originalmente em 2008.

Poema do Verso da Folha | Evaldo Brasil | Esperança/PB

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(Porque o papel e o lápis estiveram aqui)

Não me vem o verso que me veio ontem
Nem sequer aquele que me veio hoje
Estão longe, num neurônio natimorto
Queimados com ele – cerveja e vinho
Mas um papel e um lápis estão aqui…

Não vejo aqui quem me vem chegando
Nem sequer o olhar que me critica em flerte
Estão bem perto, num neurônio prematuro
Guardados com sabor e expectativa – venha!
Mas uma folha e o lápis estão aqui…

Enfim, vem versimagem dagorapouco
Sequer espero final perfeito – começo
Do nascimento de um neurônio normal
Gravado em grafite e celulose – veio!
Porque uma folha e uma taça estão aqui.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 06 de agosto de 1994)
Leia também a postagem No Verso da Folha

Pluma Ativa | Evaldo Brasil | Esperança/PB

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Construir participando
Como quem se apruma
No rumo sutil de pluma
Para sol aqui chegando

Evaldo Pedro da Costa Brasil
Em 2006

Publicado originalmente em 2008

Asas | Evaldo Brasil | Esperança/PB

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A festa que não fui foi muito boa
Como um pássaro que sem asas voa
A festa que não fui novamente foi muito boa
Como um grito mudo que, mesmo assim, ecoa.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
Em 28 de Novembro de 1992.
Publicado originalmente em 2008.

Passatempo | Evaldo Brasil | Esperança/PB

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A espera desespera ansioso/ E ansioso não espera ocasião/ O paciente apascenta ansioso/ E o ansioso se faz presa da razão
O mistério mistifica ardiloso/ E ardiloso não ministra delação/ A delação apazigua ardiloso/ E o ardiloso se faz presa da razão
A fôrma formaliza ocioso/ E ocioso não formula petição/ A petição incomoda ocioso/ E o ocioso se faz presa da razão
O pavio apavora belicoso/ E belicoso não belisca pavilhão/ O pavilhão se apresenta belicoso/ E o belicoso se faz presa da razão
A força fortalece mentiroso/ E mentiroso não ministra reação/ A reação reprimenda mentiroso/ E o mentiroso se faz presa da razão
O amor se faz bem mais primoroso/ E primoroso não se rende contrição/ O ser presente vivifica primoroso/ E primoroso se faz reza e oração.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Entre 3 e 4 de Fevereiro de 2005)
Publicado originalmente em 2008.

C49-184 | A-2 Titico Celestino

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O genial e carismático Professor Pardal


Titico tocava em festa
Inda mais durante a missa
Todo o talento se presta
Isso nele era premissa
Cooperar na liturgia
Orgulho em toda liça.

Casado com Juliana
E pai de Dona Inacinha
Levou uma vida honrada
Estando longe de rinha
Soube fazer a política
Tino pra isso ele tinha
Inda mais se bem pratica
Na vida reta, na linha
O bem que dera fama

O homem empreendedor

Genial desde menino
Experimenta ao espiar
Na oficina do pai
Instrumento a tocar
A popular serafina
Laboratório sem par

Expert em mecânica

Criara um carro de som
A divulgar seu cinema
Realizou espetáculos
Inventando estratagema
Se destaca ao violino
Musicar era o seu lema
Agregado a sua esposa
Tinha ao lado um poema
Isso então engrandecia
Com Juliana poderia
Organizar belo esquema

Pode criar os bons filhos
Realizar-se na oficina
Orquestrar a sua vida
Formar a bela menina
Educar quem precisava
Socorro em obra-prima
Se prestando a ajudar
Orgulhou esse lugar
Registrando sua sina

Para manter-se ativo
A sua casa era cheia
Realizava o presé…

BV021 ao BV025 Lautriv Mitelob: Boletins Virtuais

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Cultura & Consciência Negra

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Parceria entre a Quero Mais e a Prefeitura Municipal realiza o evento no Dom Palmeira
Professor “Morcego” e alunos da Escola Afro-nagô oferecem aula-espetáculo


No último dia 20 foi comemorado nacionalmente o Dia da Consciência Negra, data em que se registra a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, símbolo maior de afirmação das raízes afro-brasileiras.

Esperança, em cumprimento ao Plano Municipal de Ação do Selo Unicef (2013-2016) realizou nesta quinta-feira, 27, o Encontro Cultura & Consciência Negra. Na ocasião, a Associação Afro-cultural Quero Mais (http://grupo-queromais.blogspot.com.br/) foi anfitriã da iniciativa da Escola Afro-nagô de Capoeira, Campina Grande/PB (http://afronagocg.blogspot.com.br/), quando o professor Evaldo Batista “Morcego” esteve tratando da implantação da Lei 10.639/03 nas escolas, sobre a História e Cultura africanas na grade curricular.

O evento aconteceu na EMEF Dom Manoel Palmeira, à tarde. Além da palestra, contou com uma grande roda de capoeira, prece…

C49-182 | A-1 Silvino Olavo da Costa

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ACRÓSTICO 1
(Poeta de Cisnes e Sombra Iluminada)

I
Silvino Olavo da Costa
Ilustre filho de Esperança
Levou uma vida ativa
Verificada em lembrança
Indício de uma peleja
No sonho que se almeja
Onde a vista lhe alcança.

II
O poeta dos cisnes
Levou curta vida ativa
Aventurou-se na Capital
Vislumbrando a formação
O apetite parnaso-cultural.

III
Diria de Esperança
A amada “Lírio Verde”.

IV
Caminhou de lá pra diante
O embaixador alvissareiro
Saltando de “João Pessoa”
Trilhando o Rio de Janeiro
Ao Direito em que ressoa.

V
Poemas plumas e sonetos
O menino nos brindou
Enterrou a filha infeliz
Tristezura, muita dor
A que mais bem lhe quis...

VI
Diria de sua casa
Estribilho de andorinhas...

VII
Coautor de independência
Indomável por sua terra
Seria guerreiro libertador
Não teria a mesma sorte
Em desgraça assim quedou
Ser vivendo em quase morte.

VIII
Enclausurou-se na insânia...

IX
Seria medianeiro
O poeta, o pensador?
Mal compreendido
Beatismo lhe pegou?
Rara mente com lampejos
Ainda assim nos brindou:

X
Iluminou aos cadinhos
Lida de novos valores

Nos Céus de Maio | Evaldo Brasil | Esperança/PB

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Os céus cobertos de algodão doce...

Ou seria sujeira química?

É a lei do menor esforço | Coletivo | Esperança/PB

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(De forma muito educada dou as minhas macacadas)

Pequeno resumo das ocorrências na vida, no trabalho e entre amigos, por ocasião do aniversário do Professor João Delfino

(Da Lamentação) Quando eu era prefeito/ A coisa era diferente/ Respeitava todo mundo/ Mas eu era exigente: De forma muito educada/ Dava as minhas macacadas/ No lombo de muita gente!
Acho que perdi moral/ Mando e não obedecem/ Nem uma demão de cal/ Vejam só como padece/ No que eu não sei fazer/ Nem pagando pode ser/ Vejam o que acontece.
(Das Desculpas) Informática, senhores/ É um tema temerário/ Pane no computador/ Do chefe, o secretário/ No conserto há mais de ano/ E a desculpa do fulano/ É, decerto, obituário!
Inda tem a impressora/ Que está no mesmo pacote/ Todo dia tem cobrança/ E a resposta tem um mote. ̶  A manhã eu lhe entrego/ Mas continua no prego. As desculpa' enche' um pote:
̶ Saio da computação/ Deixo o computador/ Mas entrego o secretário/ Dos tempos de professor/ Passou noites de insônia/ Se o motivo er…

C49-180 Pelo menos é nisso que eu creio 2

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I- ...Podemos até agir como em recreio,/ Mas não viemos aqui só pra brindar. O mundo é também grande hospital/ Estamos todos aqui pra nos tratar. É uma atitude em prol da sanidade,/ Que nos é dada por lei, pela Bondade, /Do Criador, expressada ao nos criar.
II- A vida soma amor e dor constantes/ Podemos até agir como em recreio,/ Mas não viemos aqui só pra brindar. É que em prova e expiação se veio. Como não quero adoecer de novo/ Como ninguém quer voltar a ovo/ A interação é regra, é assim meio.
III- Aqui estamos no melhor momento/ Para par e passo ser curado, se curar/ Podemos até agir como em recreio,/ Mas não viemos aqui só pra brindar. É amor divino na veia, na mente,/ O poder da cruz eleva o penitente/ Oportunidade que há pra aprimorar.
IV- Se só s’alembram nas vívidas dores/ Se não sabem pra quê aqui se veio/ Ajudem: são tantos os labores! Podemos até agir como em recreio,/ Mas não viemos aqui só pra brindar. Viemos aqui foi pra curar e se curar/ Pelo menos é nisso que eu creio.
V-…

C49-146 Maria Beleza, A pequenina flor brejeira

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I- Toda mulher se faz bela/ Quando se faz verdadeira/ Se na paixão se revela/ Se não desce à rameira. E se descer dá a volta/ Por cima e, sem revolta,/ Se faz gente de primeira.
II- Nos idos dos novecentos/ Uma bela menina sonhou/ Arranjou-se com parentes/ Onde à promessa quedou. Na loja do tio conhece/ Uma paixão, lhe aparece/ Um viajante a quem amou.
III- Viveriam bons momentos/ Mas reencontro demora/ E à espera se alonga/ E o desespero aflora. Há quem alimente sonho/ Mas pesadelo medonho/ Reviraria essa história.
IV- Eis que se tranca no quarto/ Numa rede, a pequenina,/ À preocupação de todos/ Já não se via a menina... E depois de uma reclusão/ Entrega-se à condição/ Aceitando a sua sina:
V- Lá vem Maria Beleza/ Caminhando levemente/ Com toda a sua pureza/ Vestida num de repente. O retrato do seu amado
Em banhos, já desbotado/ Numa caixinha, presente.
VI- Um sabonete por banho/ Sempre toda maquiada/ Espera sonho de antanho/ Vida inteira enamorada. Talco, batom e esmalte/ Vestidos em esca…

C49-177 De quando a Ala-Ursa foi às forras com o Homem-nu

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I
Cansada de sofrer bullying
Cansada de ser caçada
Cansada do bole-bole
Cansada de emboscada
Ala-Ursa lá do polo
Resolve pisar em solo
Sem se parecer malvada:

II
̶ Se os dias do caçador
Parecem nunca ter fim
Por que o dia da caça
Nunca chegou para mim?
Assim eu me perguntava
Até, às vezes, gritava
Foi então que fiz assim:

III
Falei com um vereador
O susto foi de lascar...
Antes do governador
Com o prefeito fui falar
Nem deputado estadual
Nem deputado federal
Nem senador para sanar...

IV
Falei com um presidente
Até na ONU fui falar
C'uma cara de penitente
Deixei de ser um polar
Cruzei com uma dos pardo’
Meu filho no novo fardo
Conseguiu me replicar:

V
Por força da transgenia
Por força da natureza
Abolindo a eugenia
Reconstruindo a beleza
Pude ir além do instinto
Pude ocupar um recinto
De consciência e leveza

VI
Não vivi um bacanal
Coisas sem necessidade
Fui brincar o carnaval
Com arte e capacidade
Fui às forras no lundu
Revesti o homem-nu
Com a capa da bondade.

VII
Caçar já não caça mais
Volta a ser vegetariano
Agora ele vive em p…

C49-178 A Lua vem Nascendo Prateada

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(Dedicado à Roseane Martins e filhos)

I
A musa vive de contar vantage'
De image' que clareia sua calçada
Da casa onde habita –molecage'
A musa se orgulha amostrada.
–Aqui é muita mais bonita
Aos olhos de um poeta grita!
A lua vem nascendo prateada.

II
A ela fui mostrar um pôr‐do‐sol
Achando que seria revelada
Paixão que se nutre ao derredor
O poeta entrou numa roubada.
–Até que está bem na fita
Mas, se casa seria palafita,
A lua vem nascendo prateada.

III
Nesse dia caminhei em direção
Da região pela musa afamada
Queria testemunhar a criação
Perante nascente embelezada.
Realmente lá eu tive guarita
É verdade e a turma se agita
A lua vem nascendo prateada.

IV
O alvoroço que se via por ali
Parecia atitude tresloucada
Velhinho, mulherada e guri
Cachorro, gato e passarada
A cheia agora tinha nome
Era chancela de lobisome'
A lua vem nascendo prateada.

V
À boca da noite no espelho
Da lagoinha sedimentada
Toda gente dobrava o joelho
E lá estava enorme duplicada
Uma banda no céu se via
Outra banda n'água tremia
A…

C49-113 Feliz Homem Novo

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(Do homem velho que vai com o Ano Novo que chega)

(Tudo é cíclico. O dia nasce, o dia morre e renasce. A árvore tomba depois de tantas sementes que serão novas árvores. A vida pulsa para a vida tendo a morte como fim. Mas, na condição de almas em evolução, nós como o dia e como a árvore, nos veremos em novos corpos. Daí, não se estressar é a regra).

I
Se tudo que entra sai
Se em tudo começo e fim
Tudo entre não ou sim?
A Lei de Newton não cai…
Esqueçamos a refrega
No Ano Novo que chega
Do Ano Velho que vai.

II
Se toda gente que sai
Quase não pensa no fim
Se acham que sempre sim
É resposta que lhes cai…
Nós falaremos à galega
É Ano Novo que chega
E o Ano Velho que vai.

III
Se tudo que gruda sai
Até visgo em passarin’
Mas se tudo tem seu fim
E muita gente se retrai…
Pensemos no ser humano
Ao nascer do novo ano
Sobre o velhinho que vai.

IV
Chiclete no cabelo sai
Mas se perde um pedacin’
Mas isso não é tão ruim
Podia se perder mais…
Respeitemos o decano
Ao nascer do novo ano
É luz do sol como rai’.

V
Pois é! tudo que entra…

Esperança-PB - Setor Nordeste

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Os mapas das pequenas cidades não mudam a todo instante, mas merecem atualização de tempos em tempos. Anualmente, com a publicação do guia comercial metropolitano, de Fernando Rocha Macambira, somos convidados e patrocinados (levado a locais para ajustes de nomes e desenho) a refazer um mapa que trabalhamos desde o Plano Diretor participativo, na Gestão João Delfino (2005-2008. Assim, estamos mais uma vez trabalhando... Vejam esse setor:

Esperança-PB - Visão central em página dupla

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Os mapas das pequenas cidades não mudam a todo instante, mas merecem atualização de tempos em tempos. Anualmente, com a publicação do guia comercial metropolitano, de Fernando Rocha Macambira, somos convidados e patrocinados (levado a locais para ajustes de nomes e desenho) a refazer um mapa que trabalhamos desde o Plano Diretor participativo, na Gestão João Delfino (2005-2008. Assim, estamos mais uma vez trabalhando... Vejam essa visão central:

Esperança-PB - Setor Sudoeste

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Os mapas das pequenas cidades não mudam a todo instante, mas merecem atualização de tempos em tempos. Anualmente, com a publicação do guia comercial metropolitano, de Fernando Rocha Macambira, somos convidados e patrocinados (levado a locais para ajustes de nomes e desenho) a refazer um mapa que trabalhamos desde o Plano Diretor participativo, na Gestão João Delfino (2005-2008. Assim, estamos mais uma vez trabalhando... Vejam esse setor:

A Farça da Taça Virada

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A Farsa da Taça Virada

No Verso da Folha

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No Verso da Folha
Leia também a postagem Poema do Verso da Folha

O Bicho e o Bicho e a Morte

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O Bicho e o Bicho e a Morte

C49-028 As Conquistas de Neco Dentista III

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(De como Nequinho se afirmou um pé de valsa)

I
Quando quer ir pro dedinho
Nequinho ensaia uma dança
Que mexe com qualquer um
E o seu objetivo alcança.
Sai logo do poleirozinho
Passeia com um amiguinho
E à conquista ele se lança.

II
Quando se agita pra brincar
Todos correm para ver
Se ele dança ou não dança
Eu até já paguei pra ser
Testemunha da atuação
Famosa, por aclamação,
Que diziam Neguinho ter.

III
Não havia testemunhado
A dança de Neco Dentista
Mas o momento é chegado
E pra ele preparei a pista:
Chega Renata, de amarelo,
Com verdinho faz paralelo
Uma parceria com o artista.

IV
Quando noutra casa foi morar
(E essa é pra fazer suspense)
Foi uma agonia pra Juninho
O dono do ator circense
Fez um drama e ameaçou
Irmãs, o pai, a mãe e gritou:
– Eu levo o que me pertence!

V
Na visita que Neco nos faz
Dança ao som do Tirinrim
Ritmo particular de Neném
Quando mima o passarinho.
Alarga ombros, cruza mãos,
Pelas costas, em preparação,
Fazendo pose de mandarim…

VI
Como um cavalheiro na corte
Baixa a cabeça em reverência
A uma platé…

C49-018 As conquistas de Neco Dentista II

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(As curas de Neco Manicura)

I
Outros tantos se quedaram
Nem dá pra eu enumerar
E alguns até duvidaram
Do que em versos a narrar
Este cordelista declinou
Do bichinho que animou
Toda a vida deste lugar.

II
Quando o segundo dente
Ele extraiu do seu Juninho
– Viva! Ficaria assim patente
Essa alcunha de Nequinho
Do Tiradentes, por ocasião
Trazendo a todos libertação
Das angústias, de mansinho.

III
Lucas quando aqui chega
Nem bom dia ou boa tarde
Voa, vai direto ao poleirinho,
E cumprimenta com alarde
– Nequinho, vem pro dedinho!
– Nequinho, o meu cheirinho!
E a nossa cobrança arde.

IV
Ruth quer seduzir o Neco
Tenta fazer nele seu carinho
Mas nem sempre é aceito
Pelo emplumado passarinho.
Nem sempre ele se rebola
E nem toda hora decola
Do poleiro pra um dedinho.

V
Mas quando vê uma cutícula
Ou pedacinhos de nossa pele
Nas unhas e dedos nossos
Não há ação que o repele
Belisca, bica aqui bica acolá,
Ligeirinho para aprontar
Belas unhas que o revele.

VI
Se o esmalte está vencido
Não precisa usar acetona
É só se dar por merecido
E o manic…

C49-017 As conquistas de Neco Dentista I

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I
Chegou cedinho por aqui
Com o braçozinho cortado
Com o nome de Nequinho!
Passou logo a ser chamado.
Um maracanã bem verdinho
O melhor dos passarinhos
Pois não vive engaiolado!

II
O primeiro foi Juninho
Quem por ele se quedou
Do colocar no dedinho
Ao biquinho que beijou.
Um som bem parecidinho
Com o nome do gurizinho
Foi o primeiro que falou.

III
Eliane, Mita e Creuza
Revelam muito do bem
Que trazem como nobreza
Quando com ele se vêem.
Beijam e dão o dedinho
Tratam a ele com carinho
Como se ele fosse alguém.

IV
Neném, Tales e Rafael
Por aqui não passam mais
Sem brincar com o bacharel
Sem mandar os seus sinais.
De muito amor a um ser fiel
Já definiram o seu papel
Em relação plena de paz.

V
Mércio, Mateus e Welissey
São outros fãs do Aritanga
Como ficam assim nem sei
Parecem servir à canga.
Sem verem que o tempo passa
Não sentem sequer fumaça…
Dia desse um perde a tanga!

VI
E assim, Nequinho reina,
Por todos já é respeitado
Dançando em cima da mesa
Ou na sala, o amostrado.
Até dente de leite arranca
Mas tem medo de carranca
E de…

C49-016 De como um Lobisomem se transformaria

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I
Nas noites de lua cheia
Todo mundo se arrepiava
Esfriava o sangue na veia
Quando coruja cantava:
Era agouro, assombração,
Um sinal, manifestação,
Aviso que nos abalava.

II
Era um Lobisomem, a fera.
Que assim se transformava
Em currais, onde se esmera,
A bem do que ele sonhava:
Dizem que branda figura,
De fina estampa — cultura,
Feito burro, ele se espojava.

III
A mulher até teria, à noite,
Seguido o cabra e achado
A prova do seu pernoite
E viu o ritual encantado:
Na camisa, sete nós cegos,
Em cada sapato, sete pregos,
Sete giros no chão enluarado.

IV
Mas menino é bicho ruim
Certa feita andando armados
De balinheiras pra caçar
Ficaram uns oito acampados.
De bala de barro cozido
Os guris, tudo escondidos,
Atacaram um encapuzado.

V
Era um barbeiro, o coitado.
Daí, quando na barbearia,
Deixavam todo encabulado
O rapa-queixos. Diziam:
– É medo do fio da navalha
Ou algo que assim o valha
De por ele ser sangrado.

VI
As unhas de um cidadão
Se compridas, um perigo,
Se cortadas, um disfarce,
Orelhas de um Papa-figo:
Se assim nos metia m…

C49-015 Quando a Porca pelos Correios grunhia

I
Quando a tal da Porca
Numa noitada aparecia
Gelava a espinha de todos
Todo mundo se escondia:
Era um grande tumulto,
Pelo que estava oculto,
Quando ela assim saia.

II
O falatório era enorme
Os meninos se armavam
As verdades e as mentiras
Aos poucos se misturavam
Os pais usavam do mito
E entre o dito e o não dito
As noitadas se evitavam.

III
Quem não se arrepiava
Com a Porca em sua arenga
Quando ela perambulava
Caqueava, em pés de quenga:
Calçada; de estopa vestida,
Foi uma das que nessa vida
Jamais se diga: era molenga!

IV
Como Porca, transformado,
Até de um macho já se disse
Imaginem bem esse coitado,
Diante do disse-me-disse:
Por um lado meteu medo
Por outro guardou segredo
Da infância até a velhice.

V
A molecada era traquina
Com balinheiras na mão
Corriam por beco e esquina
Procurando a tal aparição.
Conta uma figura do samba
Que ficava na corda bamba
Com medo de assombração…

VI
…Das unhas do lobisomem,
Do despudor dos homens-nus
Dos grunhidos que se somem
Dos vôos rasantes de urubus.
E quando a Porca tão falada
Perto dos Co…

C49-014 Quando o Homem-nu no cinema aparecia

I
Quando o tal do Homem-nu
No Cinema Ideal aparecia
Gerava espanto de todos
Todo mundo se espremia:
Era o maior dos bafafás,
Ninguém ficava pra trás,
Quando ele assim agia.

II
O corre-corre era grande
Diante daquela figura
O pouco pelo que tinha
Não moldava a escultura:
Nem escondia as partes
Nem evitava o desastre
Do temor das criaturas.

III
Quando o tal do Homem-nu
Na Rua de Areia aparecia
Ou quando ele caminhava
Como em passe de magia:
Ora por trás do Caobe,
Como é que desce e sobe
Do centro e à periferia?

IV
Como seria transportado,
De uma parede a um paredão
Imaginem esse danado,
Aqui e acolá, em sua aparição:
Na mesma hora ele estava
Em todo canto se avistava
Mesmo tempo, mesma ação.

V
E as vítimas preferidas?
Há quem diga que havia
E todas bem escolhidas
Bonita, bem nova ou sadia:
Consta que branda figura
De fino trato e boa cultura
Deixava o cara em agonia.

VI
Ele no alto de sua patente
Ou no posto de empresário
Ou mesmo enquanto machão
Pra muitos foi um salafrário:
Não sentir frio no inverno
Nem temer ir pro inferno
Agind…

BV020 Lautriv Mitelob: Boletim Virtual

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Boletim Virtual BV020

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BV019 Lautriv Mitelob: Boletim Virtual

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Boletim Virtual 019

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C49-029 De como surgiu nosso peru

(Cruzamento transgênico I)

I
No tempo da Criação
Do trabalho incansável
Bem depois de Jesus ser
Escolhido, o Memorável,
Pra reinar nessa divina
Morada da grande sina
De superar o inominável…

II
Cada um com seu destino
Os bichos foram criados
E depois de muito ensino
Cada um foi pro seu lado.
Mas teve quem não ficasse
E seu caminho mudasse
E a discussão, começado:

III
Pois não é que a transgenia
Foi culpa de um Urubu
Que depois de se cansar
De comer só um timbu
Em sua olfativa diária
No que achava em precária
Vivência como um lambu:

IV
Abandonou sua esquadra
De abutres e urubutingas
Quando voava por aqui
E avistou pelas caatingas
Branca pavoa formosa
Cantora muito fogosa…
Chama e diz: ainda vingas?

V
Ela diz que seu pavão
Só sabe abrir a rabada
Pras novas, as safadinhas,
De plumagem renovada.
E que, sem preconceito,
– Quer saber, dou, ‘tá feito,
Dou conta da empreitada!

VI
Os céus azuis escurecem
Raio, relâmpago e trovão,
A ordem natural padece
De uma mal pensada ação.
O negão com a branquinha
Dança um tango à ladainha.
Em transe, …

BV018 Lautriv Mitelob: Boletim Virtual

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BV017 Lautriv Mitelob: Boletim Virtual

Leiam o lautriv.mitelob no calameo

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Confrades no Troféu Gonzagão 2014

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Iordan e o anfitrião Ajalmar


Ney Vital e Evaldo Brasil


Ney, Iordan, Carlos e Emerson

BV016 Lautriv Mitelob: Boletim Virtual

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Veja a capa:
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C49-013 A Ondulação leve da Superfície das Águas

[O Açude Velho, Banabuyê (Banabuié) é aqui o objeto de discussão. O enredo gira em torno dos significados da palavra “Siririca”. Trata-se aqui, de como, aos poucos, a comunidade cometeu o crime coletivo de levar o açude a ser fossa a céu aberto, até agora, quando obras públicas começam a revitalizar a área. O Parque do Açude Velho é solicitado como sonho de infância.]

I
A palavra tem alma, tem uso e razão,
Em sua origem define algo bom e real
Com o tempo muda, para novo uso,
Mesmo assim continua soando normal.
Qual a rota, o caminho por ela seguido,
Pra manter-se atual e ter novo sentido
Arrancaria a poesia de ser original?

II
Lancei uma pedra no velho Banabuyê
Ajudei a matá-lo, sequer ficou mágoas,
E as esferas surgiram em belos sinais
Sumiram ligeiras, sem foto, sem flagra.
Continuaram as siriricas, na origem tupi,
Como ninfa bailando, que em menino vi,
Leve ondulação da superfície das águas.

III
Pesquei uma piaba no velho Banabuyê
Ajudei a despovoá-lo com uma siririca
Mergulhei sem nadar com a lama no…

C49-012 De Como o Lobisomem Revelou seu Amor

Imagem
(No coito da Porca Libidinosa com o Homem-nu)



(Nesses versos o eu lírico, em primeira pessoa, se faz personagem principal e narrador. Os personagens que povoam a imaginação dos mais velhos moradores de Esperança, aqui se encontram, enquanto a sexualidade é tratada de modo heterodoxo, tendo como cenário coisas da cidade e o Açude Velho Banabuyê).

I
Acordei da minha condição humana
E a noite ficou clara como um dia.
Senti o cheiro de uma loucura insana,
Estranho encontro, verdadeira orgia.
Quando a lua-cheia se fez sol pra mim,
Entre flores pisadas, eu, no seu jardim,
Sondei pela janela, era você, quem via.

II
Enquanto a Porca se transformava
E o Homem-nu em branco reluzia
Outros casais também fornicavam
Tantos em sono; outros em agonia.
Eu farejava um forte cheiro de sexo
Num aparente encontro sem nexo
Eu e você, neles dois – eu veria.

III
Cruzei a cidade em plena escuridão
Pelo beco do padre, eu perseguia,
Sem sinal da cruz, sem temer punição,
Sentido ampliado: o instinto, meu guia.
Na libidinosa ninfeta, t…

C49-011 O Sumiço do Lobisomem que Era um Bode Mascarado

I
Sempre há de tudo um pouco
Nas origens, em qualquer vila,
Mitos de heróis desbravadores
Mulher machona que virava gorila.
Figuras pitorescas, desmioladas,
Marias e Adélias, vidas frustradas,
Até o uivo de um lobisomem sibila.

II
Sob uma máscara de pele de bode
Circulava nas noites sem energia
Para seus encontros amorosos
A dois, a três, em suruba ou orgia.
Em sua atuação assustadora
Atacava das negras às louras,
Casadas e solteiras, quando agia.

III
Em suas ações de vadiagem
Quando pelas partes combinado
Gemidos, uivos e os assobios,
Pra outros ficarem afastados.
Tudo corria na mais santa paz
Para jovens moças e pro rapaz
Naquele animal transfigurado.

IV
Mas nem todos deixavam pra lá
Já que muitos tiravam proveito
Para agir nas madrugadas de lua
Era preciso no artista dar um jeito.
Em tocaia pegaram o marginal
Em sua porta deixaram um sinal
Máscara presa à porta do sujeito.

V
A povoação não tinha energia
E o escuro da noite estimulava
A tradição de contar Trancoso
E as assombrações congelavam.
À mesa, nas antessalas, s…

C49-041 Em Vão se Vai o Idealismo e a Vida Perde seu Lirismo

(A poesia de Silvino Olavo III) Releitura do poema "Idealismo Vão" na página 2 do Boletim Virtual

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C49-010 Saudade da Porca do Dente de Ouro

I
Ela já não circula entre nós
Em sua performance encantada,
Nossa formosa Porca libidinosa
Com sua dentadura dourada.
Mas, teria sido pela sua vida,
Aquela mulher, em sua lida,
Má, ou só mal interpretada?

II
Teria sido por incoerência ou
Vítima de um imposto sacrário?
Ou mesmo uma total descrença
Que a revoltou contra o berçário?
Seria pela intolerância dos pais?
Algo em que se errou demais?
Tornar inimigo um adversário?

III
Teria sido ato de ninfomania
Ou ato de amor e coragem?
Fruto de fêmea em rebeldia?
Um choque na politicagem?
Por não suportar o inculto
Ser alcunhada de ser bruto
De bebedora de lavagem?

IV
Houve quem isso negasse
Temendo um poder fugaz
Houve quem se enamorasse
Ante a moça, no que apraz.
Mas eis que a bala comeu
A comunidade então temeu
A morte dela, azar do rapaz.

V
Não se tinha energia elétrica
Mas havia muita imaginação
Humor contado de Trancoso
Terror de mito – assombração.
Circulava por todas as classes
Refletia-se em todas as faces
Entre o trágico e o dramalhão.

VI
Por pudor ou por preconceito
Gira…

C49-009 Do Ano Novo que Chega

(Se o ano novo não chega não se pode refletir)

I
O ano velho assim termina
E o novo já está por vir
É o tal ciclo inevitável
Que não se pode impedir
Querer no tempo voltar…
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

II
Do ano novo que chega
Não custa nada pedir
Planejar mais que esperar
Diante do incerto porvir
E tentar recomeçar, pois,
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

III
Uma lei que não se nega
Evolução que há de vir
Pede pausa pra pensar
Revendo o modo de agir
E tentar-se avaliar, que,
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

IV
Então o novo não chega
Para quem se despedir
E no outro lado da vida
Revendo o seu progredir
Lamenta não aceitar que
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

V
Do ano novo que chega
Para poder progredir
É preciso olhar o velho
Revisar, rever e seguir,
Não se deixar enganar…
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

VI
Não chorar por leite frio
Desse ato, de fato sorrir,
Pela estrada, paro o Rio,
Seguir em frente, partir,
Tentar de novo e entender
Se o ano novo não chega
Não …

C49-038 E um Poeta se Faz Palhaço no Circo Louco da Vida

Imagem
(A poesia de Silvino Olavo II) Releitura do poema "O Meu Palhaço" está na página 04 do Boletim Virtual

(O soneto O Meu Palhaço, de Silvino Olavo é aqui relido na forma de sétimas. Esse exercício de escrita é uma tentativa de entrar no íntimo do poeta através de um dos seus trabalhos mais belos e, a partir daí, apresenta-lo em sua leitura da condição humana, sua inquietação diante da indiferença a qual nós somos conduzidos nas relações interpessoais.)

I
Qualquer um ser humano
Com amargura remoída
Só se negaria a reclamar
Diante da tortura atrevida
Se tivesse coração de aço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

II
Seu coração é um acrobata
Ele sorri da própria ferida
Se opondo a mal tratante dor
Serenando a dor da sua lida
Entre a glória e o fracasso…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

III
A multidão desata em riso
Mas não percebe a medida
Que assiste as suas piruetas
Amenas, tragédia escondida,
Que não se expõe um traço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

IV
M…

C49-008 A liberdade do Homem-nu

I
Ainda circula entre nós
De narinas empinadas
O pioneiro Homem-nu
De aventuras afamadas.
Teria sido, mas já não é,
Uma criatura só, sem fé,
Ou se afigurava do nada?

II
Teria sido uma doença ou
Uma aposta entre amigos?
Ou mesmo falta de crença
Que alimentou tal perigo?
Seria a ausência dos seus?
Algo sem perdão de Deus?
Lobisomem ou papa-figo?

III
Teria sido uma sodomia
Ou somente vadiagem?
O fruto da esquizofrenia
Ou apenas molecagem?
Por não segurar impulso
Por se meter no incurso
Em rumo de libertinagem?

IV
Teve quem visse e corresse
Temendo um ataque voraz
Teve quem visse e calasse
Ante a ameaça do rapaz.
Mas eis que a luz acendeu
A cidade inteira aprendeu
Todos ficariam em paz.

V
Nos tempos de falta de luz
Nunca faltava imaginação
As estórias de Trancoso
E aquelas de assombração
Circulavam em sítios e ruas
Como se fossem ninfas nuas
Entre o lúdico e a perversão.

VI
Por diversos tipos e tempos
Assim se renova essa estória,
Como por alumbramento,
Sem deixar fama ou glória,
Inspiração, medo secreto,
Desejo sombrio, concreto,
Nem…

C49-034 Revisitando o Retorno do Poeta

(A Poesia de Silvino Olavo I) Página 4 do Boletim Virtual, uma releitura do célebre poema "Retorno".

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C49-002 Se a Minha Esperança Fosse Menor que a Esperança Minha

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[Inspirado em Zé da Luz, pelo Cordel do Fogo Encantado, travo uma batalha no condicional, tratando das nossas esperanças: sentimento e cidade. De quebra, os agentes que se julgam no poder de mudar nossos destinos são aqui alfinetados. Coméce vem acentuado para não ser lido por comesse e rimar com o afirmativo Césse (acabe) entre tantos êsses.]

I
Se o azul do céu morresse
Se o dia toda luz perdesse
Se hoje o mundo se acabasse.
(Como vôo de uma andorinha)
E assim eu me lascasse.
Só se essa cidadela fosse
Maior que a esperança minha.

II
Ai de quem ainda vivesse
Ai de quem permanecesse
Se isso tudo assim mudasse.
(No jogo das garrafinhas)
E a vida da gente decidisse.
Só se os anticristos fossem
Maior que esperança minha.

III
Que o fogo do inferno césse
E o astro-rei à noite acenda
Que hoje o mundo coméce.
(Como nasce uma estrelinha)
Só assim eu me calasse.
Mas se minha esperança fosse
Menor que essa cidadezinha.
IV
Ai do que nem sequer merece
Ai daquele que nem aprende
E, contudo, não se engrandece.
(Nem dão fim às p…