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Mostrando postagens de Abril 3, 2014

C49-168 Quem vê pinote no cinema

(Dedicado a Adriano e Marc Leand)

I
Quem vê pinote no cinema
Pensa que é tudo mentira
Acha que é a fiação oculta
Os cabras presos na embira
Que garantem o salto solto
Que o ator não fique morto
Depois do tanto que gira.
II
Mas já vi e agora vou contar
Tudo aqui nesse relato
Não invento, só acrescento
O pormenor de cada fato:
Tempo em que acontece
Motivação que se conhece
Sem detalhes ficaria chato.
III
Imagine que certa noite
Depois de uma bebedeira
Um amigo foi pra escola
E era dado às brincadeiras:
Botou boneco pra cima
De um cabra ruim de rima
Só se viu as quebradeiras.
IV
Reage de sangue quente
Ao desafio proposto
Ligeiro num de repente
E do afoito livra o rosto:
Roda-lhe o pé na titela
Avoa o cabra sem fivela
Foi coisa de dá desgosto.
V
Num traçado em elipse
Se não visse eu não cria
Só tinha visto nos filmes
Parecido com a magia
O cabra saindo experto
Após voar uns dois metros
Rapidinho, cabeça esfria.
VI
Parecia um efeito especial
Pé na titela adeus ao chão
Os sapatos foram ao teto
Num tinha asa nas mãos...
O bebinho ficou …

C49-169 Quem vê pinote no cinema II

(Dedicado a Renata, Luana e Leandro)

I
Quem vê pinote no cinema
Podia estar acostumado
Com as coisas inesperadas
Com a zoada, o alquebrado,
A gargalhada, riso insano,
Gemido, uivo desumano,
De um fato inusitado...
II
Eis que chega uma donzela
E um varão re-encantado
Cumprimenta a ela e ele
Noutra conversa pautado
Planeja abraços e beijo
E a matança do desejo
Pois tivera olho furado...
III
Lá vinha eu distraído
Já conhecia a bela dona
Fui passando no caminho
E a mim atenção se soma
– Bom dia, Evaldo. Feliz
Ano Novo! Ela me diz...
Deu nem pra sentir aroma.
IV
O caolho, ligeiro, exagerado,
Taca as mãos nos meus sovacos
Pra me tirar do seu caminho
Segura em meu ponto fraco!
Ela arregalou os olhos
Diante daquele imbróglio
Eu saltei feito um macaco.
V
Sem forças fui até o teto
Triangulei pra parede
Desci direto à cadeira
Sentei já sentido sede...
Dobrei a perna ao joelho
Ofegante feito um coelho
Como com enjoo de rede.
VI
Ele faz a sua cena a ela...
Ela entre espanto e peninha
Ele finda e passa a vez
Eu permito: cumpra a rinha!
E ela…

C49-172 A professora não sabia o que seria otorrinolaringologia

I
Nas disputas da infância
Galo canta, o cancão pia.
A gente na ignorância
Troca a noite pelo dia.
Isso já'stá registrado
Em tudo que é tratado
De arte, antropologia.
II
Certa feita em casa amiga
Vi cessar a harmonia
Quando falava de escola,
De estudo e sabedoria.
Amigo desinformado
Do que já é consagrado
Por toda a sociologia:
III
Ele dizia que a escola
Não valeria pra nada,
Eu via uma professora
Ali ao lado só calada,
Em argumento modesto
Ensaio pequeno gesto
Desembainho a espada...
IV
Naquele tempo já era
Chamado de cientista,
Meu amigo era ligado
Em outro ponto de vista:
Ganhar dinheiro, fama,
Levar vida de bacana
No cinema ser artista...
V
Despreza a minha lida
Diz que saberia mais
Aquilo que eu dissesse
Repetiria, era capaz...
Escolhesse uma palavra
A sua língua não trava
Se garantia o rapaz...
VI
Selecionei, fui perspicaz,
Um verdadeiro palavrão
Otorrinolaringologia
Foi essa, feito um arpão!
- Oto... inventasse, essa!
- Invento outra depressa!
- Essa... num valeu, não!
VII
Recorreu-se à professora
Ela não sabia o que seri…