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Mostrando postagens de Abril, 2014

BV016 Lautriv Mitelob: Boletim Virtual

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C49-013 A Ondulação leve da Superfície das Águas

[O Açude Velho, Banabuyê (Banabuié) é aqui o objeto de discussão. O enredo gira em torno dos significados da palavra “Siririca”. Trata-se aqui, de como, aos poucos, a comunidade cometeu o crime coletivo de levar o açude a ser fossa a céu aberto, até agora, quando obras públicas começam a revitalizar a área. O Parque do Açude Velho é solicitado como sonho de infância.]

I
A palavra tem alma, tem uso e razão,
Em sua origem define algo bom e real
Com o tempo muda, para novo uso,
Mesmo assim continua soando normal.
Qual a rota, o caminho por ela seguido,
Pra manter-se atual e ter novo sentido
Arrancaria a poesia de ser original?

II
Lancei uma pedra no velho Banabuyê
Ajudei a matá-lo, sequer ficou mágoas,
E as esferas surgiram em belos sinais
Sumiram ligeiras, sem foto, sem flagra.
Continuaram as siriricas, na origem tupi,
Como ninfa bailando, que em menino vi,
Leve ondulação da superfície das águas.

III
Pesquei uma piaba no velho Banabuyê
Ajudei a despovoá-lo com uma siririca
Mergulhei sem nadar com a lama no…

C49-012 De Como o Lobisomem Revelou seu Amor

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(No coito da Porca Libidinosa com o Homem-nu)



(Nesses versos o eu lírico, em primeira pessoa, se faz personagem principal e narrador. Os personagens que povoam a imaginação dos mais velhos moradores de Esperança, aqui se encontram, enquanto a sexualidade é tratada de modo heterodoxo, tendo como cenário coisas da cidade e o Açude Velho Banabuyê).

I
Acordei da minha condição humana
E a noite ficou clara como um dia.
Senti o cheiro de uma loucura insana,
Estranho encontro, verdadeira orgia.
Quando a lua-cheia se fez sol pra mim,
Entre flores pisadas, eu, no seu jardim,
Sondei pela janela, era você, quem via.

II
Enquanto a Porca se transformava
E o Homem-nu em branco reluzia
Outros casais também fornicavam
Tantos em sono; outros em agonia.
Eu farejava um forte cheiro de sexo
Num aparente encontro sem nexo
Eu e você, neles dois – eu veria.

III
Cruzei a cidade em plena escuridão
Pelo beco do padre, eu perseguia,
Sem sinal da cruz, sem temer punição,
Sentido ampliado: o instinto, meu guia.
Na libidinosa ninfeta, t…

C49-011 O Sumiço do Lobisomem que Era um Bode Mascarado

I
Sempre há de tudo um pouco
Nas origens, em qualquer vila,
Mitos de heróis desbravadores
Mulher machona que virava gorila.
Figuras pitorescas, desmioladas,
Marias e Adélias, vidas frustradas,
Até o uivo de um lobisomem sibila.

II
Sob uma máscara de pele de bode
Circulava nas noites sem energia
Para seus encontros amorosos
A dois, a três, em suruba ou orgia.
Em sua atuação assustadora
Atacava das negras às louras,
Casadas e solteiras, quando agia.

III
Em suas ações de vadiagem
Quando pelas partes combinado
Gemidos, uivos e os assobios,
Pra outros ficarem afastados.
Tudo corria na mais santa paz
Para jovens moças e pro rapaz
Naquele animal transfigurado.

IV
Mas nem todos deixavam pra lá
Já que muitos tiravam proveito
Para agir nas madrugadas de lua
Era preciso no artista dar um jeito.
Em tocaia pegaram o marginal
Em sua porta deixaram um sinal
Máscara presa à porta do sujeito.

V
A povoação não tinha energia
E o escuro da noite estimulava
A tradição de contar Trancoso
E as assombrações congelavam.
À mesa, nas antessalas, s…

C49-041 Em Vão se Vai o Idealismo e a Vida Perde seu Lirismo

(A poesia de Silvino Olavo III) Releitura do poema "Idealismo Vão" na página 2 do Boletim Virtual

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C49-010 Saudade da Porca do Dente de Ouro

I
Ela já não circula entre nós
Em sua performance encantada,
Nossa formosa Porca libidinosa
Com sua dentadura dourada.
Mas, teria sido pela sua vida,
Aquela mulher, em sua lida,
Má, ou só mal interpretada?

II
Teria sido por incoerência ou
Vítima de um imposto sacrário?
Ou mesmo uma total descrença
Que a revoltou contra o berçário?
Seria pela intolerância dos pais?
Algo em que se errou demais?
Tornar inimigo um adversário?

III
Teria sido ato de ninfomania
Ou ato de amor e coragem?
Fruto de fêmea em rebeldia?
Um choque na politicagem?
Por não suportar o inculto
Ser alcunhada de ser bruto
De bebedora de lavagem?

IV
Houve quem isso negasse
Temendo um poder fugaz
Houve quem se enamorasse
Ante a moça, no que apraz.
Mas eis que a bala comeu
A comunidade então temeu
A morte dela, azar do rapaz.

V
Não se tinha energia elétrica
Mas havia muita imaginação
Humor contado de Trancoso
Terror de mito – assombração.
Circulava por todas as classes
Refletia-se em todas as faces
Entre o trágico e o dramalhão.

VI
Por pudor ou por preconceito
Gira…

C49-009 Do Ano Novo que Chega

(Se o ano novo não chega não se pode refletir)

I
O ano velho assim termina
E o novo já está por vir
É o tal ciclo inevitável
Que não se pode impedir
Querer no tempo voltar…
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

II
Do ano novo que chega
Não custa nada pedir
Planejar mais que esperar
Diante do incerto porvir
E tentar recomeçar, pois,
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

III
Uma lei que não se nega
Evolução que há de vir
Pede pausa pra pensar
Revendo o modo de agir
E tentar-se avaliar, que,
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

IV
Então o novo não chega
Para quem se despedir
E no outro lado da vida
Revendo o seu progredir
Lamenta não aceitar que
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

V
Do ano novo que chega
Para poder progredir
É preciso olhar o velho
Revisar, rever e seguir,
Não se deixar enganar…
Se o ano novo não chega
Não se pode refletir.

VI
Não chorar por leite frio
Desse ato, de fato sorrir,
Pela estrada, paro o Rio,
Seguir em frente, partir,
Tentar de novo e entender
Se o ano novo não chega
Não …

C49-038 E um Poeta se Faz Palhaço no Circo Louco da Vida

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(A poesia de Silvino Olavo II) Releitura do poema "O Meu Palhaço" está na página 04 do Boletim Virtual

(O soneto O Meu Palhaço, de Silvino Olavo é aqui relido na forma de sétimas. Esse exercício de escrita é uma tentativa de entrar no íntimo do poeta através de um dos seus trabalhos mais belos e, a partir daí, apresenta-lo em sua leitura da condição humana, sua inquietação diante da indiferença a qual nós somos conduzidos nas relações interpessoais.)

I
Qualquer um ser humano
Com amargura remoída
Só se negaria a reclamar
Diante da tortura atrevida
Se tivesse coração de aço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

II
Seu coração é um acrobata
Ele sorri da própria ferida
Se opondo a mal tratante dor
Serenando a dor da sua lida
Entre a glória e o fracasso…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

III
A multidão desata em riso
Mas não percebe a medida
Que assiste as suas piruetas
Amenas, tragédia escondida,
Que não se expõe um traço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

IV
M…

C49-008 A liberdade do Homem-nu

I
Ainda circula entre nós
De narinas empinadas
O pioneiro Homem-nu
De aventuras afamadas.
Teria sido, mas já não é,
Uma criatura só, sem fé,
Ou se afigurava do nada?

II
Teria sido uma doença ou
Uma aposta entre amigos?
Ou mesmo falta de crença
Que alimentou tal perigo?
Seria a ausência dos seus?
Algo sem perdão de Deus?
Lobisomem ou papa-figo?

III
Teria sido uma sodomia
Ou somente vadiagem?
O fruto da esquizofrenia
Ou apenas molecagem?
Por não segurar impulso
Por se meter no incurso
Em rumo de libertinagem?

IV
Teve quem visse e corresse
Temendo um ataque voraz
Teve quem visse e calasse
Ante a ameaça do rapaz.
Mas eis que a luz acendeu
A cidade inteira aprendeu
Todos ficariam em paz.

V
Nos tempos de falta de luz
Nunca faltava imaginação
As estórias de Trancoso
E aquelas de assombração
Circulavam em sítios e ruas
Como se fossem ninfas nuas
Entre o lúdico e a perversão.

VI
Por diversos tipos e tempos
Assim se renova essa estória,
Como por alumbramento,
Sem deixar fama ou glória,
Inspiração, medo secreto,
Desejo sombrio, concreto,
Nem…

C49-034 Revisitando o Retorno do Poeta

(A Poesia de Silvino Olavo I) Página 4 do Boletim Virtual, uma releitura do célebre poema "Retorno".

Boletim Virtual 001 Publish at Calameo or read more publications.

C49-002 Se a Minha Esperança Fosse Menor que a Esperança Minha

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[Inspirado em Zé da Luz, pelo Cordel do Fogo Encantado, travo uma batalha no condicional, tratando das nossas esperanças: sentimento e cidade. De quebra, os agentes que se julgam no poder de mudar nossos destinos são aqui alfinetados. Coméce vem acentuado para não ser lido por comesse e rimar com o afirmativo Césse (acabe) entre tantos êsses.]

I
Se o azul do céu morresse
Se o dia toda luz perdesse
Se hoje o mundo se acabasse.
(Como vôo de uma andorinha)
E assim eu me lascasse.
Só se essa cidadela fosse
Maior que a esperança minha.

II
Ai de quem ainda vivesse
Ai de quem permanecesse
Se isso tudo assim mudasse.
(No jogo das garrafinhas)
E a vida da gente decidisse.
Só se os anticristos fossem
Maior que esperança minha.

III
Que o fogo do inferno césse
E o astro-rei à noite acenda
Que hoje o mundo coméce.
(Como nasce uma estrelinha)
Só assim eu me calasse.
Mas se minha esperança fosse
Menor que essa cidadezinha.
IV
Ai do que nem sequer merece
Ai daquele que nem aprende
E, contudo, não se engrandece.
(Nem dão fim às p…

C49-168 Quem vê pinote no cinema

(Dedicado a Adriano e Marc Leand)

I
Quem vê pinote no cinema
Pensa que é tudo mentira
Acha que é a fiação oculta
Os cabras presos na embira
Que garantem o salto solto
Que o ator não fique morto
Depois do tanto que gira.
II
Mas já vi e agora vou contar
Tudo aqui nesse relato
Não invento, só acrescento
O pormenor de cada fato:
Tempo em que acontece
Motivação que se conhece
Sem detalhes ficaria chato.
III
Imagine que certa noite
Depois de uma bebedeira
Um amigo foi pra escola
E era dado às brincadeiras:
Botou boneco pra cima
De um cabra ruim de rima
Só se viu as quebradeiras.
IV
Reage de sangue quente
Ao desafio proposto
Ligeiro num de repente
E do afoito livra o rosto:
Roda-lhe o pé na titela
Avoa o cabra sem fivela
Foi coisa de dá desgosto.
V
Num traçado em elipse
Se não visse eu não cria
Só tinha visto nos filmes
Parecido com a magia
O cabra saindo experto
Após voar uns dois metros
Rapidinho, cabeça esfria.
VI
Parecia um efeito especial
Pé na titela adeus ao chão
Os sapatos foram ao teto
Num tinha asa nas mãos...
O bebinho ficou …

C49-169 Quem vê pinote no cinema II

(Dedicado a Renata, Luana e Leandro)

I
Quem vê pinote no cinema
Podia estar acostumado
Com as coisas inesperadas
Com a zoada, o alquebrado,
A gargalhada, riso insano,
Gemido, uivo desumano,
De um fato inusitado...
II
Eis que chega uma donzela
E um varão re-encantado
Cumprimenta a ela e ele
Noutra conversa pautado
Planeja abraços e beijo
E a matança do desejo
Pois tivera olho furado...
III
Lá vinha eu distraído
Já conhecia a bela dona
Fui passando no caminho
E a mim atenção se soma
– Bom dia, Evaldo. Feliz
Ano Novo! Ela me diz...
Deu nem pra sentir aroma.
IV
O caolho, ligeiro, exagerado,
Taca as mãos nos meus sovacos
Pra me tirar do seu caminho
Segura em meu ponto fraco!
Ela arregalou os olhos
Diante daquele imbróglio
Eu saltei feito um macaco.
V
Sem forças fui até o teto
Triangulei pra parede
Desci direto à cadeira
Sentei já sentido sede...
Dobrei a perna ao joelho
Ofegante feito um coelho
Como com enjoo de rede.
VI
Ele faz a sua cena a ela...
Ela entre espanto e peninha
Ele finda e passa a vez
Eu permito: cumpra a rinha!
E ela…

C49-172 A professora não sabia o que seria otorrinolaringologia

I
Nas disputas da infância
Galo canta, o cancão pia.
A gente na ignorância
Troca a noite pelo dia.
Isso já'stá registrado
Em tudo que é tratado
De arte, antropologia.
II
Certa feita em casa amiga
Vi cessar a harmonia
Quando falava de escola,
De estudo e sabedoria.
Amigo desinformado
Do que já é consagrado
Por toda a sociologia:
III
Ele dizia que a escola
Não valeria pra nada,
Eu via uma professora
Ali ao lado só calada,
Em argumento modesto
Ensaio pequeno gesto
Desembainho a espada...
IV
Naquele tempo já era
Chamado de cientista,
Meu amigo era ligado
Em outro ponto de vista:
Ganhar dinheiro, fama,
Levar vida de bacana
No cinema ser artista...
V
Despreza a minha lida
Diz que saberia mais
Aquilo que eu dissesse
Repetiria, era capaz...
Escolhesse uma palavra
A sua língua não trava
Se garantia o rapaz...
VI
Selecionei, fui perspicaz,
Um verdadeiro palavrão
Otorrinolaringologia
Foi essa, feito um arpão!
- Oto... inventasse, essa!
- Invento outra depressa!
- Essa... num valeu, não!
VII
Recorreu-se à professora
Ela não sabia o que seri…