terça-feira, 23 de setembro de 2014

C49-028 As Conquistas de Neco Dentista III

(De como Nequinho se afirmou um pé de valsa)

I
Quando quer ir pro dedinho
Nequinho ensaia uma dança
Que mexe com qualquer um
E o seu objetivo alcança.
Sai logo do poleirozinho
Passeia com um amiguinho
E à conquista ele se lança.

II
Quando se agita pra brincar
Todos correm para ver
Se ele dança ou não dança
Eu até já paguei pra ser
Testemunha da atuação
Famosa, por aclamação,
Que diziam Neguinho ter.

III
Não havia testemunhado
A dança de Neco Dentista
Mas o momento é chegado
E pra ele preparei a pista:
Chega Renata, de amarelo,
Com verdinho faz paralelo
Uma parceria com o artista.

IV
Quando noutra casa foi morar
(E essa é pra fazer suspense)
Foi uma agonia pra Juninho
O dono do ator circense
Fez um drama e ameaçou
Irmãs, o pai, a mãe e gritou:
– Eu levo o que me pertence!

V
Na visita que Neco nos faz
Dança ao som do Tirinrim
Ritmo particular de Neném
Quando mima o passarinho.
Alarga ombros, cruza mãos,
Pelas costas, em preparação,
Fazendo pose de mandarim…

VI
Como um cavalheiro na corte
Baixa a cabeça em reverência
A uma platéia que lhe rodeia
Sobe e desce com experiência
Salta acolá, salta aqui, salta lá,
Segue o vai-e-vem do seu par,
Bem no ritmo e na cadência.

VII
Não sei se era samba, rock,
Se era reggae, forró ou salsa,
Mas ele dança encantando
Com muita alegria e graça.
E foi assim como Nequinho
Num Tirinrim carinhozinho
Se afirmou um pé de valsa.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(10 de Março de 2008.)

C49-018 As conquistas de Neco Dentista II

(As curas de Neco Manicura)

I
Outros tantos se quedaram
Nem dá pra eu enumerar
E alguns até duvidaram
Do que em versos a narrar
Este cordelista declinou
Do bichinho que animou
Toda a vida deste lugar.

II
Quando o segundo dente
Ele extraiu do seu Juninho
– Viva! Ficaria assim patente
Essa alcunha de Nequinho
Do Tiradentes, por ocasião
Trazendo a todos libertação
Das angústias, de mansinho.

III
Lucas quando aqui chega
Nem bom dia ou boa tarde
Voa, vai direto ao poleirinho,
E cumprimenta com alarde
– Nequinho, vem pro dedinho!
– Nequinho, o meu cheirinho!
E a nossa cobrança arde.

IV
Ruth quer seduzir o Neco
Tenta fazer nele seu carinho
Mas nem sempre é aceito
Pelo emplumado passarinho.
Nem sempre ele se rebola
E nem toda hora decola
Do poleiro pra um dedinho.

V
Mas quando vê uma cutícula
Ou pedacinhos de nossa pele
Nas unhas e dedos nossos
Não há ação que o repele
Belisca, bica aqui bica acolá,
Ligeirinho para aprontar
Belas unhas que o revele.

VI
Se o esmalte está vencido
Não precisa usar acetona
É só se dar por merecido
E o manicuro vem à tona.
Belisca, bica aqui bica acolá,
Ligeirinho para arrancar
A tinta velha daquela zona.

VII
Quando ele bica é bom sinal
De que só age em proteção
Dele e de todos ao seu redor
Quase manda nessa mansão.
Não se pode compara a Lili
Mas Nequinho se revelou aqui
Um Manicuro, por ocasião.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(31 de Janeiro de 2008.)

C49-017 As conquistas de Neco Dentista I


I
Chegou cedinho por aqui
Com o braçozinho cortado
Com o nome de Nequinho!
Passou logo a ser chamado.
Um maracanã bem verdinho
O melhor dos passarinhos
Pois não vive engaiolado!

II
O primeiro foi Juninho
Quem por ele se quedou
Do colocar no dedinho
Ao biquinho que beijou.
Um som bem parecidinho
Com o nome do gurizinho
Foi o primeiro que falou.

III
Eliane, Mita e Creuza
Revelam muito do bem
Que trazem como nobreza
Quando com ele se vêem.
Beijam e dão o dedinho
Tratam a ele com carinho
Como se ele fosse alguém.

IV
Neném, Tales e Rafael
Por aqui não passam mais
Sem brincar com o bacharel
Sem mandar os seus sinais.
De muito amor a um ser fiel
Já definiram o seu papel
Em relação plena de paz.

V
Mércio, Mateus e Welissey
São outros fãs do Aritanga
Como ficam assim nem sei
Parecem servir à canga.
Sem verem que o tempo passa
Não sentem sequer fumaça…
Dia desse um perde a tanga!

VI
E assim, Nequinho reina,
Por todos já é respeitado
Dançando em cima da mesa
Ou na sala, o amostrado.
Até dente de leite arranca
Mas tem medo de carranca
E de som muito agitado.

VII
Quando ele bica um sinal
Parece até um cirurgião
Quase ninguém entende
Qual que é sua sugestão.
Não é médico nem doutor
Mas conquistou nosso amor
O Tiradentes, por ocasião.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(23 de Janeiro de 2008)

C49-016 De como um Lobisomem se transformaria



I
Nas noites de lua cheia
Todo mundo se arrepiava
Esfriava o sangue na veia
Quando coruja cantava:
Era agouro, assombração,
Um sinal, manifestação,
Aviso que nos abalava.

II
Era um Lobisomem, a fera.
Que assim se transformava
Em currais, onde se esmera,
A bem do que ele sonhava:
Dizem que branda figura,
De fina estampa — cultura,
Feito burro, ele se espojava.

III
A mulher até teria, à noite,
Seguido o cabra e achado
A prova do seu pernoite
E viu o ritual encantado:
Na camisa, sete nós cegos,
Em cada sapato, sete pregos,
Sete giros no chão enluarado.

IV
Mas menino é bicho ruim
Certa feita andando armados
De balinheiras pra caçar
Ficaram uns oito acampados.
De bala de barro cozido
Os guris, tudo escondidos,
Atacaram um encapuzado.

V
Era um barbeiro, o coitado.
Daí, quando na barbearia,
Deixavam todo encabulado
O rapa-queixos. Diziam:
– É medo do fio da navalha
Ou algo que assim o valha
De por ele ser sangrado.

VI
As unhas de um cidadão
Se compridas, um perigo,
Se cortadas, um disfarce,
Orelhas de um Papa-figo:
Se assim nos metia medo
Já não ficava em segredo
A mão em vermelho figo.

VII
Assim se mostrava suspeito
Em nossa fértil imaginação
Mas nunca se viu o conjunto
Em ninguém, a combinação,
Era só nas cabeças da gente
Que pairava medo inocente…
Uma parte da nossa formação.

• Extra •
Esta registrada mais uma versão
Baseada em fatos ou narrativas
Revelando segredos de aparição
As fórmulas mágicas, nativas.
Se davam certo, nunca saberei,
Intentar um teste, nunca pensei,
– Leve essas coisas na esportiva!


Evaldo Pedro da Costa Brasil
(23 de Janeiro de 2008)

C49-015 Quando a Porca pelos Correios grunhia


I
Quando a tal da Porca
Numa noitada aparecia
Gelava a espinha de todos
Todo mundo se escondia:
Era um grande tumulto,
Pelo que estava oculto,
Quando ela assim saia.

II
O falatório era enorme
Os meninos se armavam
As verdades e as mentiras
Aos poucos se misturavam
Os pais usavam do mito
E entre o dito e o não dito
As noitadas se evitavam.

III
Quem não se arrepiava
Com a Porca em sua arenga
Quando ela perambulava
Caqueava, em pés de quenga:
Calçada; de estopa vestida,
Foi uma das que nessa vida
Jamais se diga: era molenga!

IV
Como Porca, transformado,
Até de um macho já se disse
Imaginem bem esse coitado,
Diante do disse-me-disse:
Por um lado meteu medo
Por outro guardou segredo
Da infância até a velhice.

V
A molecada era traquina
Com balinheiras na mão
Corriam por beco e esquina
Procurando a tal aparição.
Conta uma figura do samba
Que ficava na corda bamba
Com medo de assombração…

VI
…Das unhas do lobisomem,
Do despudor dos homens-nus
Dos grunhidos que se somem
Dos vôos rasantes de urubus.
E quando a Porca tão falada
Perto dos Correios, baleada,
Só se ouvia agouro de anus.


VII
Quando a Porca pelas ruas,
Pelo Beco do Correio grunhia,
Sonhar com mulheres nuas
Era o que muito macho fazia:
Ante os tabus e os pudores
Matutavam em seus valores
Entre o que era e o que só parecia.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(10 de Janeiro de 2008)

C49-014 Quando o Homem-nu no cinema aparecia


I
Quando o tal do Homem-nu
No Cinema Ideal aparecia
Gerava espanto de todos
Todo mundo se espremia:
Era o maior dos bafafás,
Ninguém ficava pra trás,
Quando ele assim agia.

II
O corre-corre era grande
Diante daquela figura
O pouco pelo que tinha
Não moldava a escultura:
Nem escondia as partes
Nem evitava o desastre
Do temor das criaturas.

III
Quando o tal do Homem-nu
Na Rua de Areia aparecia
Ou quando ele caminhava
Como em passe de magia:
Ora por trás do Caobe,
Como é que desce e sobe
Do centro e à periferia?

IV
Como seria transportado,
De uma parede a um paredão
Imaginem esse danado,
Aqui e acolá, em sua aparição:
Na mesma hora ele estava
Em todo canto se avistava
Mesmo tempo, mesma ação.

V
E as vítimas preferidas?
Há quem diga que havia
E todas bem escolhidas
Bonita, bem nova ou sadia:
Consta que branda figura
De fino trato e boa cultura
Deixava o cara em agonia.

VI
Ele no alto de sua patente
Ou no posto de empresário
Ou mesmo enquanto machão
Pra muitos foi um salafrário:
Não sentir frio no inverno
Nem temer ir pro inferno
Agindo como um ordinário.

VII
Prefiro pensar que isso tudo
Não passou de uma ventura
Do tempo do cinema mudo
Nosso jeito de ser, da cultura,
Da criatividade desse povo
Do jeito que enfrenta o novo
Quer sufocar as agruras.

• Extra •
Está passada a mensagem pensada
Banabuyê é meu sonho de infância
Revendo fatos sem culpar a ninguém
Apontando apenas nossa ignorância.
Se alguém se incomodar, quem dera,
Isso pede fazer do meu sonho quimera
Livrai-nos Deus do poder da ganância.


Evaldo Pedro da Costa Brasil
(08 de Janeiro de 2008)