quinta-feira, 6 de novembro de 2014

C49-178 A Lua vem Nascendo Prateada



(Dedicado à Roseane Martins e filhos)

I
A musa vive de contar vantage'
De image' que clareia sua calçada
Da casa onde habita –molecage'
A musa se orgulha amostrada.
–Aqui é muita mais bonita
Aos olhos de um poeta grita!
A lua vem nascendo prateada.

II
A ela fui mostrar um pôr‐do‐sol
Achando que seria revelada
Paixão que se nutre ao derredor
O poeta entrou numa roubada.
–Até que está bem na fita
Mas, se casa seria palafita,
A lua vem nascendo prateada.

III
Nesse dia caminhei em direção
Da região pela musa afamada
Queria testemunhar a criação
Perante nascente embelezada.
Realmente lá eu tive guarita
É verdade e a turma se agita
A lua vem nascendo prateada.

IV
O alvoroço que se via por ali
Parecia atitude tresloucada
Velhinho, mulherada e guri
Cachorro, gato e passarada
A cheia agora tinha nome
Era chancela de lobisome'
A lua vem nascendo prateada.

V
À boca da noite no espelho
Da lagoinha sedimentada
Toda gente dobrava o joelho
E lá estava enorme duplicada
Uma banda no céu se via
Outra banda n'água tremia
A lua vem nascendo prateada.

VI
Meu belo pôr‐do‐sol, guardei
O registro não lhe valia nada
Perante o espetáculo, uivei
O poeta, em mim, reencontrei.
–Assim, não mais conflita',
Perante a visão, tu grita',
À lua nascendo prateada?

VII
A musa vive de somar vantage'
Da image' que clareia sua calçada
Do lar onde habita –vernissage'
A musa honra argumentada.
–Então, é muita mais bonita,
Olhe pra lá poeta e grita:
–A lua vem nascendo prateada.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Esperança, 14 de abril de 2014)

C49-113 Feliz Homem Novo



(Do homem velho que vai com o Ano Novo que chega)

(Tudo é cíclico. O dia nasce, o dia morre e renasce. A árvore tomba depois de tantas sementes que serão novas árvores. A vida pulsa para a vida tendo a morte como fim. Mas, na condição de almas em evolução, nós como o dia e como a árvore, nos veremos em novos corpos. Daí, não se estressar é a regra).

I
Se tudo que entra sai
Se em tudo começo e fim
Tudo entre não ou sim?
A Lei de Newton não cai…
Esqueçamos a refrega
No Ano Novo que chega
Do Ano Velho que vai.

II
Se toda gente que sai
Quase não pensa no fim
Se acham que sempre sim
É resposta que lhes cai…
Nós falaremos à galega
É Ano Novo que chega
E o Ano Velho que vai.

III
Se tudo que gruda sai
Até visgo em passarin’
Mas se tudo tem seu fim
E muita gente se retrai…
Pensemos no ser humano
Ao nascer do novo ano
Sobre o velhinho que vai.

IV
Chiclete no cabelo sai
Mas se perde um pedacin’
Mas isso não é tão ruim
Podia se perder mais…
Respeitemos o decano
Ao nascer do novo ano
É luz do sol como rai’.

V
Pois é! tudo que entra sai
Tudo só termina no fim
Porque teve um comecin’
E chega desse mais-mais!
É preciso respeitar tudo
Até o que ‘tá meio mudo
O ioiô só vem se vai.

VI
O ano novo a gente faz
Seja ele bom ou ruim
Deixe atrás o farnesim
Relaxa, não se contrai!
Não faça o que reprovava
Nem magoe quem magoava
Cedo ou tarde a vida esvai.

VII
E um mundo novo atrai
Quem resolve ser novin’
O ano, o homem, enfim
Mesmo que lhe falte gás,
Esquece tudo que é briga
Desfaz assim sua intriga
Pois perdoar ele é capaz.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 16 de Dezembro de 2008)

veja as primeiras capas